ADEMI na Imprensa

Comperj atrai imobiliárias

Jornal do Commercio, Fábio Teixeira, 10/jan

Os investimentos na cadeia do petróleo deverão movimentar uma quantidade bilionária em recursos privados e públicos para a economia fluminense. Em conseqüência, a demanda por habitação nas cidades no entorno do Rio de Janeiro nunca esteve tão alta. No ano passado foram lançadas 2,6 mil unidades habitacionais (UHs) em um dos mercados mais aquecidos, o município de Itaboraí, que abrigará o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A expectativa das construtoras é de um mercado em crescimento por pelo menos uma década, com o número de habitantes na cidade saltando de 270 mil atualmente para 750 mil dentro de quatro anos, quando o complexo estiver operacional.

"A oferta está muito longe de encontrar a demanda, mas muito longe mesmo", diz o vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Paulo Fabbriani. O executivo, que se especializou no desenvolvimento do mercado na região da chamada "rota do petróleo", afirma que as cidades que estão crescendo por conta de investimento no setor de petróleo estão vivendo a "promessa da infraestrutura", que seria a chegada de água encanada, transporte, esgoto e outros serviços já estabelecidos nas grandes cidades.

"Dado que a oferta em todo o estado ainda está próxima de um quarto da demanda, e as pessoas querem viver onde há infraestrutura, essa promessa valoriza as cidades da rota", explica Fabbriani. Para ele, as cidades de São Gonçalo, Itaboraí e Maricá estão sendo as mais beneficiadas. Macaé e Campos, mercados aquecidos no passado também por conta do petróleo, estariam agora estabilizados.

A velocidade de vendas das unidades lançadas na região evidenciam a demanda reprimida. A PDG Realty, maior construtora brasileira em receita, lançou em Itaboraí o Enterprise, conjunto de edifícios que somam R$ 350 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). De acordo com o diretor de incorporação da companhia, Marcos Saceanu, 95% das unidades foram vendidos no dia do lançamento, no fim do ano passado.

TURISMO. Ao contrário do que seria de esperar, não são unidades econômicas. Dividido em seis torres, o Enterprise conta com mais de 500 salas comerciais, hotel voltado para o turismo de negócios e um conjunto de lojas. De porte inédito para a cidade, o empreendimento não deverá ser o único. De acordo com Saceanu, existe espaço para construções de padrão diferenciado - como o Enterprise -, e também para moradias populares.

O executivo explica que Itaboraí tejn chamado mais a atenção das empresas imobiliárias por conta do perfil de negócio petrolífero se estabelecendo no município. Enquanto Campos e Macaé se beneficiam de projetos de extração de petróleo, Itaboraí será um centro de refino da commodity. "Extração de petróleo é uma atividade finita, o que não é o caso de Itaboraí com o refino", diz o diretor de incorporação da PDG. A particularidade permite aos investidores vislumbrar um futuro de crescimento sustentável para a região.

Para o ano que vem, a expectativa da Ademi -RJ é de manutenção no ritmo de unidades lançadas. Caso tudo siga como o planejado, a previsão é de que se inicie um processo de interiorização, com o volume de unidades lançadas se concentrando na periferia da capital fluminense. O perigo, na visão de Fabbriani, está na possibilidade de atrasos nas grandes obras responsáveis por atrair os investimentos imobiliários, ou incapacidade das cidades na rota de montar a infraestrutura necessária.

Na análise de Roberto Antu¬nes, presidente da construtora Conasa, Itaboraí viverá o pico no setor imobiliário durante os próximos três anos. O executi¬vo está apostando em em¬preendimentos para a mão de obra qualificada que vai traba¬lhar no Comperj. Até a segunda metade deste ano, a Conasa lançará um condomínio resi¬dencial com VGV total de R$ 250 milhões, com 700 unidades habitacionais.

Neste ano ainda, outros dois empreendimentos devem ser anunciados na cidade pela construtora. "Um certo nível de funcionário vai ser atendido pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Outro grupo, de funcionários com nível técnico e superior, deverão levar suas famílias e ocupar empreendimentos mais qualificados", prevê Antunes.

PROJETOS. São Gonçalo - com mais de mil UHs lançadas no ano passado -, e Maricá - com 962 Uhs - também estão se beneficiando das obras do Comperj. Apesar de ser considerado um local favelizado, as empresas consultadas pelo Jornal do Commercioi apostam no desenvolvimento de projetos na região. "Analisamos fortemente terrenos em São Gonçalo por conta da proximidade de Itaboraí e Niterói, dois mercados em franco crescimento", diz Saceanu, da PDG Realty.

A empresa lançou, no ano passado, um conjunto habitacional com VGV total de R$ 35 milhões, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, a demanda por moradias econômicas é grande. "O déficit é tão grande que regiões da cidade estão sendo transformadas em alojamentos para trabalhadores", conta Saceanu. Na análise do executivo, embora a favelização crie situações como a construção de prédios em locais próximos à comunidades carentes, a própria chegada as imobiliárias deve ajudar a mitigar o problema.

INVESTIDORES. Esta série de lançamentos está estimulando o apetite dos investidores. O diretor executivo da Gaia Construtora, Sérgio Cano Cortes, afirma que o Vita Felice Residencial último empreendimento lançado pela companhia em Itaboraí - com cinco blocos somando 330 unidades, de um VGV total de R$ 69 milhões - teve grandes parcelas adquiridas por interessados em revender a unidade ou de alugar para os futuros trabalhadores do Comperj. "O preço do metro quadrado subiu de um ano para cá", conta Cortes. Até a entrega do Vita Felice em 2014, mesmo ano previsto para o início das atividades do Comperj, o preço dos imóveis deve se valorizar ainda mais.

A NEP Empreendimentos Imobiliários também observou este movimento. "Todos os produtos trazidos por nos para a região da rota do petróleo estão voltados para investidores", diz o diretor de desenvolvimento, Cyro Fidalgo. Em Itaboraí, a NEP lançou um edifício com 240 Uhs, às margens da rodovia Dutra. "Foi totalmente vendido na manhã do lançamento", diz Fidalgo.



Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]