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A hora da aposta

Exame, 30/set

A estratégia da Blackstone, maior gestora de fundos de private equity do mundo, com 333 bilhões de dólares de patrimônio, para enfrentar a crise financeira de 2008 foi investir pesadamente em imóveis. O objetivo era comprar barato de proprietários endividados para vender quando o mercado se recuperasse. Em três anos, a Black- stone aplicou cerca de 11 bilhões de dólares em prédios de escritório, shoppings, hotéis, galpões industriais e em alguns empreendimentos residenciais nos Estados Unidos. Em 2011, com o agravamento da crise na zona do euro, fez a mesma coisa na Europa. No ano passado, essa área tornou-se a mais lucrativa da Blackstone: gerou um lucro de quase 2 bilhões de dólares. Os resultados pioraram no segundo trimestre de 2015, mas nada que tenha alterado a estratégia - a área continua sendo uma das mais rentáveis. Agora a gestora acha que é o momento de comprar imóveis na América Latina - especialmente no Brasil. "E um bom ponto de entrada para fundos como o nosso, com um horizonte de investimento de cinco a sete anos. Se a economia se recuperar antes disso, ótimo. Mas podemos esperar", diz Marcelo Fedak, diretor executivo da Blackstone no Brasil.

A gestora fez seu maior investimento imobiliário no país em agosto. Comprou dez empreendimentos da administradora de imóveis comerciais BR Properties por 1 bilhão de reais. No fim de 2014, em parceria com a gestora brasileira Pátria, havia comprado quatro prédios comerciais no Rio de Janeiro por 700 milhões de reais. Para Fedak, devem surgir novas oportunidades de investimento à medida que mais empresas decidam vender imóveis para pagar dívidas, que se tornaram mais caras em razão da alta dos juros e da escassez de crédito. "A avaliação da matriz é que a América Latina é a nova fronteira de investimentos imobiliários e há um desejo de elevar os recursos aplicados especificamente no Brasil", diz ele.

Há também gestoras de fundos de ações aumentando sua presença no país. E o caso da escocesa Aberdeen, que já tem 23 bilhões de reais na Bovespa. "Pensando no longo prazo, em ter retorno nos próximos sete anos, como fazemos, há oportunidades", diz Nick Robinson, chefe de renda variável da Aberdeen no Brasil. Entre os principais papéis comprados pelos fundos da gestora estão os da companhia de calçados Arezzo, da administradora de shoppings Multiplan e da varejista Lojas Renner. A gestora americana NCH está comprando ações de instituições financeiras, como as dos bancos Bradesco e Itaú e as da prestadora de serviços financeiros Cetip. Há um pessimismo generalizado em relação aos papéis do setor financeiro,


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