Notícias do setor

Perto de 40% das áreas para escritórios no Rio estão vazias

O Globo, Glauce Cavalcanti, 04/jan

O mercado carioca de espaços corporativos, usados para instalação de escritórios de empresas, encerrou 2017 com um patamar recorde de 39% de imóveis vagos. Para reduzir a oferta, empresas oferecem descontos de até 35%.

O mercado carioca de espaços corporativos - áreas alugadas por empresas para instalar seus escritórios - encerrou 2017 com uma taxa de vacância recorde de 39%, segundo dados da consultoria Colliers. Isso quer dizer que quatro em cada dez metros quadrados disponíveis para locação nesse segmento estão vazios. Antes do início da crise, em 2013, o percentual era de 16%. O lado positivo da superoferta é fazer o vento soprar a favor de quem busca uma área para alugar, garantindo contratos fechados em espaços classe A com descontos de até 35%.

E, apesar da fatia de espaços vazios ter avançado na comparação com 2016, quando ficou em 32%, o mercado chega a 2018 melhor do que há um ano, avalia Márcia Fonseca, vice-presidente da Colliers:

- Em 2018, o Rio terá o menor volume de novos espaços entregues em cinco anos, porque as construções de novos projetos corporativos pararam. A taxa de vacância seguirá alta, mas já veremos este ano uma acomodação. Empresas que estão mal instaladas ou que desejam reunir em uma única sede escritórios antes pulverizados podem mudar para um espaço novo por um preço competitivo.

A perspectiva de melhora, continua Márcia, vem puxada pelo início de uma reativação no mercado de óleo e gás, além do boom no segmento de coworking, que depende da contratação de grandes áreas para crescer.

O salto no volume de espaços vazios é resultado da entrega de novos projetos nos últimos anos e do freio na demanda, que não só estancou a procura, mas ainda puxou a devolução de áreas. Só no ano passado, a absorção líquida nesse mercado - que é o saldo de metragens locadas e devolvidas - ficou negativa em 31%.

- O fim das entregas vai conter a alta da taxa de vacância. O Rio vinha numa trajetória de ascensão e de fortes investimentos em projetos, sobretudo na área do Porto Maravilha. Muitas variáveis terão impacto na economia e na reativação do mercado este ano, como Copa do Mundo e eleições, mas já vemos tendência de melhora a partir do segundo trimestre. Em São Paulo, a absorção já está acontecendo - explica Márcia.

Em revitalização, a área do Porto Maravilha foi uma das que mais atraiu investimentos nos últimos anos. Nessa região do Rio, somente no segmento de escritórios A+ e A, os mais sofisticados, o percentual vazio alcança 84%. É quase o dobro da segunda maior taxa de espaços vazios para essa categoria, na Cidade Nova, que é de 44%. Na classe B, a maior fatia desocupada está na Barra da Tijuca: 43%.

REDUÇÃO DE ATÉ 35% NO PREÇO DO ALUGUEL

O revés da baixa ocupação está nas boas condições na hora de negociar um contrato de locação, garantindo, principalmente, preços mais atraentes. O metro quadrado para locação de escritórios classe A+ e A fechou o ano valendo R$ 134, em média, no Rio. Na classe B, ficou em R$ 113.

- O Rio é a cidade da oportunidade para o inquilino. O preço final de contrato no segmento A+ e A é fechado com entre 25% e 35% de desconto; na classe B, de 20% a 25%. Há outras facilidades, como carência para quem vai se mudar ou departamento de arquitetura ajudando a planejar a mudança - lista Márcia.

Ela reconhece que as empresas estão mais cautelosas, mas garante haver negociações à mesa:

- O Aqwa Corporate, projeto recém-entregue pela Tishman Speyer no Porto, por exemplo, está em vias de fechar um grande contrato de locação de um terço da área do prédio.

No Porto Maravilha, acrescenta ela, é preciso destacar que a desocupação é muito alta, mas calculada sobre um portfólio novo e com uma oferta total inferior à de outras áreas da cidade. O Centro continua a ser o polo mais forte em espaços corporativos. Os maiores preços, contudo, estão concentrados na Zona Sul, onde o metro quadrado classe B vale R$ 200. É quase o dobro do valor cobrado por um espaço equivalente na Zona Portuária, de R$ 108, onde o metro quadrado da classe A+ e A sai a R$ 123.

O setor de óleo e gás, cujo esvaziamento nos últimos anos impactou a locação de escritórios na cidade - com destaque para a devolução de um prédio inteiro pela Petrobras na Avenida Almirante Barroso, no Centro, no início do ano passado, lembra Márcia - já ensaia uma retomada.

- Já vemos companhias de petróleo e da cadeia de fornecedores se posicionando. Há empresas entre as grandes multinacionais do setor ampliando seus escritórios no Rio, outras com estimativa de crescimento, principalmente as que ganharam áreas nos últimos leilões (da Agência Nacional do Petróleo), e também por conta da retomada das obras do Comperj - conta a vice-presidente da Colliers.

CRESCIMENTO COM ESPAÇOS DE COWORKING

Os espaços de coworking são outro impulso a novos contratos. A WeWork, uma das gigantes mundiais em espaços compartilhados de trabalho, abriu sua primeira unidade no Rio no fim do ano passado, em parte do prédio devolvido pela Petrobras. Virão mais duas em fevereiro.

- O crescimento do coworking é um movimento natural e saudável, sinal do amadurecimento do mercado de escritórios. Demanda áreas grandes, o que facilita para quem vai sublocar - diz Márcia.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]