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É importante retomar obra do metrô na Gávea

O Globo, Editoria, 11/jan

A construção da Estação Gávea, que integra a Linha 4 do metrô, sempre esteve envolvida em polêmica. Primeiro, o então governador Sérgio Cabral prometeu entregá-la junto com as demais. Depois, o seu secretário de Transportes, Júlio Lopes, afirmou que a obra seria descartada, porque não haveria tempo de inaugurá-la para a Olimpíada. Mas, diante das reações, o governo voltou atrás e decidiu levar o projeto adiante. Tudo parecia caminhar para um final feliz quando a grave crise financeira do Rio pôs em risco a conclusão de toda a Linha 4. Com a ajuda de recursos da União e remanejamento de verbas, o estado, a duras penas, conseguiu entregar o trecho Ipanema-Barra às vésperas dos Jogos. Mas faltou dinheiro para terminar Gávea, orçada à época em cerca de R$ 500 milhões.

À crise fiscal, que se agravava cada vez mais, somou-se um outro obstáculo. Em novembro de 2016, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) proibiu os repasses ao consórcio Linha 4 Sul, formado por Odebrecht, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia, todas às voltas com a Lava-Jato. A suspensão foi motivada por suspeitas de superfaturamento de R$ 3,17 bilhões na construção do trecho Ipanema-Barra, que custou cerca de R$ 10 bilhões. O embargo impedia a retomada da Estação Gávea. Anteontem, porém, o TCE decidiu, por unanimidade, liberar a obra. Prevaleceu a tese de que, parada, ela prejudica a população.

O imbróglio, no entanto, parece longe do fim. Como mostrou reportagem do GLOBO, o Ministério Público estadual estuda medida judicial para barrar novos repasses ao consórcio. Para o órgão, o colapso das finanças públicas é motivo suficiente para impedir que o estado faça novos aportes.

O debate em torno da obra - a mais cara da Olimpíada do Rio - é saudável. De fato, é preciso investigar as suspeitas de superfaturamento, especialmente diante das revelações da Lava-Jato sobre como esses contratos eram feitos. O TCE age corretamente ao impor condições para liberação, como a determinação de que a execução do projeto seja acompanhada por auditores do órgão. Convém lembrar que o próprio tribunal, que teve seis conselheiros afastados por denúncias de corrupção, cochilou no acompanhamento da obra.

Mas a retomada da Estação Gávea é importante por vários motivos. Primeiro, porque já está no meio do caminho. Um dos túneis entre o Leblon e a Gávea foi escavado, faltando furar um outro de 1,2 quilômetro. A estação já teve 40% dos serviços executados. Além disso, como mostrou reportagem do GLOBO, a manutenção do canteiro de obras, mesmo inoperante, tem custos para o estado. A paralisação, a esta altura, seria um desperdício de recursos públicos e uma punição aos cariocas, que ficariam privados de uma importante ligação metroviária. A nova estação acrescentaria mais passageiros a uma linha que ainda é subutilizada. Por tudo isso, mais sensato será concluir o projeto original, com a necessária fiscalização dos órgãos de controle. Mas, para isso, o estado terá que descobrir de onde vai tirar os recursos.

A paralisação, a esta altura, seria um desperdício de recursos públicos e uma punição aos cariocas, que ficariam privados de uma importante ligação metroviária.

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