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Obra contra enchentes na Grande Tijuca está parada

O Globo, Fábio Teixeira, 11/jan

Para muitos cariocas, o barulho de trovões soa como um aviso: é hora de evitar a região da Praça da Bandeira, entre outras áreas que costumam ficar alagadas durante temporais. A preocupação de parte da população da cidade seria menor se o desvio do Rio Joana estivesse concluído - de acordo com o cronograma original, a obra deveria ter terminado antes da Olimpíada de 2016. A intervenção finalizaria o Programa de Combate às Enchentes da Grande Tijuca, um plano de R$ 460 milhões que poderia reduzir os transtornos provocados por fortes chuvas no Centro e na Zona Norte.

A obra de desvio do Joana tem um histórico de atrasos e aumento de custos. Em 2011, quando foi lançada sua licitação, estava previsto um gasto de R$ 143 milhões (R$ 193,2 milhões, em valores atualizados) na construção de um túnel subterrâneo que levaria as águas do rio até a Baía de Guanabara sem passar pela Praça da Bandeira. Desde então, a prefeitura desembolsou R$ 230 milhões, 19% a mais que o estimado. O projeto tem trocado de mãos: passou por três empreiteiras, e o município já procura uma quarta para tentar finalizá-lo, na melhor das hipóteses, no fim deste ano.

RESCISÕES EM SÉRIE

O atraso começou em 2015, quando a Mendes Júnior, que fazia a obra desde 2012, rescindiu contrato com a prefeitura. Na época, a empresa estava envolvida nas investigações da Operação Lava-Jato e enfrentava dificuldades financeiras. Com sua saída, foi chamado por R$ 35 milhões, de forma emergencial, o consórcio Jdantas Fábio Bruno, para dar prosseguimento aos trabalhos até uma nova licitação. Depois, o consórcio Planova-Rual assumiu o serviço por R$ 120,4 milhões. Deste total, foram pagos R$ 80 milhões. Agora, o grupo também deixará o serviço.

Quando o Planova-Rual assumiu o projeto, em janeiro de 2016, a previsão era que o desvio ficaria pronto em 360 dias. No entanto, foram elaborados quatro termos aditivos que modificaram o cronograma e o custo da intervenção. Em 2017, o consórcio também pediu a suspensão do contrato. Segundo um executivo, o canteiro de obras está sem atividades desde setembro do ano retrasado. O grupo não quis explicar o motivo de sua saída. Em nota, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente afirmou que a rescisão foi solicitada por "problemas internos e financeiros."

O titular da pasta, Jorge Felippe Neto, negou ontem que a obra do Rio Joana esteja parada. Ele afirmou que a Fundação Rio-Águas vem fazendo o monitoramento e a manutenção do projeto, por meio de serviços de limpeza e operação. "Portanto, não há uma efetiva paralisação", justificou. De acordo com o secretário, o Planova-Rual queria mais dinheiro da prefeitura para completar o trecho final do túnel.

- São 300 metros críticos, muito difíceis de serem trabalhados no que diz respeito à logística. Passa debaixo da Radial Oeste e de trilhos da Supervia e do metrô. O consórcio simplesmente desistiu de concluir o serviço, então estamos chamando a terceira colocada no certame para terminá-lo - informou Jorge Felippe Neto.

Ainda segundo o secretário de Conservação e Meio Ambiente, quem assumirá a etapa final do desvio do Rio Joana será um consórcio liderado pela empresa Fábio Bruno Construções, que participou de obras emergenciais do projeto após a saída da Mendes Júnior.

Também ontem, a prefeitura destacou que o projeto de desvio do rio está 80% concluído. Mas, em março do ano passado, a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente já havia informado que a obra se encontrava 80% pronta.

- Desde que assumimos, foram feitos 150 metros do túnel. As obras serão retomadas em 30 dias, no máximo - disse Jorge Fellipe Neto, acrescentando que o novo contrato custará R$ 45,5 milhões.

Caso o valor previsto pela prefeitura seja efetivamente desembolsado, a obra de desvio do Rio Joana sairá por R$ 274,5 milhões, 41% a mais que os R$ 193 milhões estimados originalmente.

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