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Bancos públicos perdem espaço para rivais privados na concessão de crédito

O Globo, Ana Paula Ribeiro, 10/ago

Os bancos privados retomaram o apetite pela concessão de crédito para empresas e consumidores. Como os concorrentes públicos não estão seguindo o mesmo caminho, as instituições privadas vêm garantindo o aumento de sua participação no mercado.

As instituições controladas pelo governo respondem por 53% do saldo de empréstimos do país, que era de R$ 3,130 trilhões em junho. Embora ainda respondam por mais da metade do estoque, essa participação vem caindo desde 2015, quando atingiu o patamar recorde de 55,8%.

Essa perda de espaço reflete uma mudança de postura na atuação dos bancos públicos. Na crise financeira de 2008, o governo passou a usar essas instituições para conceder crédito e estimular a economia. Esse movimento ganhou força em 2012, quando Banco do Brasil e Caixa, principalmente, serviram de instrumento para forçar a redução dos juros finais ao tomador.

- Os bancos públicos foram usados no passado para atuarem como indutores da expansão de crédito e redução da margem de juros. Agora, essa atuação se dá de forma mais racional - afirma Glauco Legat, estrategista da Spinelli Corretora.

Na prática, o crédito nos bancos públicos está crescendo menos. No Banco do Brasil, o saldo em junho era de R$ 685,5 bilhões, um recuo de 1,5% em 12 meses e abaixo da projeção do BB, que esperava fechar o ano com uma expansão de até 4%. Na mesma base de comparação, a carteira de empréstimos do Bradesco subiu 4,5%, a do Itaú, 6,1%, e a do Santander, 13,3%. Caixa e BNDES ainda não divulgaram os balanços do segundo trimestre.

Paulo Caffarelli, presidente do BB, afirmou que o banco optou pela rentabilidade de sua carteira:

-A vida é uma escolha, e escolhemos a rentabilidade. Vamos abrir mão, caso necessário, da participação de mercado. Não significa que vamos entregar, mas vamos gerir nossa atuação deforma a aumentara nossa rentabilidade.

O retorno do BB está em 13,8%, abaixo dos quase 20% dos grandes bancos privados.

No caso do BNDES, alenta retomada da economia, que travou os grandes investimentos em infraestrutura, é a principal razão para a quedana concessão de crédito.

- Nossa natureza é destinar recursos para investimento e infraestrutura. Estamos em uma retomada da economia mais lenta do que o esperado, e há incertezas no cenário. A expansão da nossa carteira está relacionada ao crescimento da economia - explica Maurício Neves, superintendente da área de planejamento do BNDES.

O banco de fomento e outras instituições públicas respondem por cerca de 80% do crédito à infraestrutura no país. Essa participação não se alterou de forma significativa nos últimos anos, mas os desembolsos do BNDES estão em forte queda. No primeiro semestre, o tombo foi de 17%.

Este ano, o BNDES já vendeu R$ 6 bilhões em participações em empresas. O banco estima que esse valor chegue a R$ 10 bilhões até o fim do ano, segundo a diretora de Investimentos do BNDES, Eliane Lustosa.

EFEITO DA CRISE FISCAL

No caso da Caixa, a instituição decidiu concentrar seus esforços no crédito habitacional, mas, mesmo assim, tem perdido espaço. O pé no freio foi necessário para evitar que o banco descumprisse as regras internacionais que exigem um patamar mínimo de patrimônio para balizar a concessão de novos empréstimos. Para ampliar o crédito, o banco precisa de dinheiro do Tesouro. Procurada, a Caixa não se pronunciou.

Haroldo Vale Mota, professor de finanças da Fundação Dom Cabral, afirma que essa perda de espaço dos bancos públicos já era esperada, uma vez que o governo não tem mais condições de injetar dinheiro:

- É uma consequência do problema nas contas públicas.

Lucro do Banco do Brasil cresce 19,7% no trimestre, para R$ 3,135 bi

Com aumento das receitas de tarifas e a redução das despesas com devedores duvidosos, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 3,135 bilhões no segundo trimestre, alta de 19,7% frente ao mesmo período do ano passado. No acumulado do semestre, o montante chega a R$ 5,884 bilhões, crescimento de 16,2%. Já o resultado ajustado, que exclui eventos extraordinários, foi de R$ 3,240 bilhões (+22,3%) e R$ 6,266 bilhões (+21,4%), respectivamente.

O presidente do BB, Paulo Caffarelli, acredita que os resultados devem melhorar no segundo semestre, acompanhando a recuperação da economia:

- O segundo semestre vai ser melhor. A inflação vai ficar abaixo do centro da meta, e a economia voltou a se recuperar após a greve dos caminhoneiros.

As receitas com tarifas do BB somaram R$ 6,798 bilhões entre abril e junho, alta de 5,7%, principalmente devido à maior arrecadação com taxas de administração de fundos.

Já a previsão para devedores duvidosos, que formam um colchão para eventuais calotes, recuou 22,9% no segundo trimestre, para R$ 5,134 bilhões. As despesas administrativas cresceram 2,6%, para R$ 8,070 bilhões.

A carteira de crédito total do BB encerrou junho em R$ 685,5 bilhões, um recuo de 1,5%. O resultado só não foi pior devido ao desempenho das operações para pessoas físicas. 

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