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Brasil é o 71º em capital humano entre 195 países

O Globo, Daiane Costa, 25/set

Um estudo inédito publicado na revista científica The Lancet, ontem, mostra que o Brasil tem avançado mais do que a maioria dos países latino-americanos no desenvolvimento de seu capital humano, indicador que leva em conta investimentos em saúde e educação, avaliados como sinal de compromisso com o crescimento econômico. No entanto, num ranking de 195 países, o Brasil aparece na 71ª posição. Ficou logo atrás dos Emirados Árabes Unidos (70ª) e à frente da Tailândia (72ª). A Finlândia é a primeira da lista. O estudo foi conduzido pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, a pedido do Banco Mundial.

- Nossas descobertas associam investimentos em educação e saúde e melhoria do capital humano ao desempenho do PIB. Formuladores de políticas públicas ignoram esse fato por sua própria conta e risco - observa Christopher Murray, diretor do IHME.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, define o capital humano como "a soma da saúde, habilidades, conhecimentos, experiência e hábitos de uma população". Para determinar a posição de cada país, foi considerado o número de anos que um indivíduo pode trabalhar no pico de produtividade, entre 20 e 64 anos, levando em conta a expectativa de vida ajustada ao estado de saúde, os anos de escolaridade e a qualidade da aprendizagem.

EFEITO NA PRODUTIVIDADE

O capital humano é um importante determinante do crescimento econômico porque influencia a produtividade do trabalho. Os pesquisadores observaram que as nações com maiores avanços no nível de seus profissionais também tende manter uma expansão maior de seu Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil, apesar de ter subido 20 posições no ranking desde 1990, ainda tem um desempenho longe do considerado ideal pelo Banco Mundial, o que, segundo os pesquisadores, pode comprometer seu desenvolvimento no longo prazo.

- A Finlândia tem um desempenho impressionante. No Brasil, independentemente do progresso importante já registrado, será preciso mais tempo para melhorar o capital humano - avalia Rafael Lozano, diretor de área e professor do IHME.

O Brasil ficou atrás de Cuba (41º), Chile (50º) e Argentina (66º), mas à frente da maioria dos países da América Latina e do Caribe: Uruguai (77º), Paraguai (96º), Peru (103º), México (104º), El Salvador (106º), Trinidade Tobago (107º ), Bolívia (112º), Equador (113º), entre outros.

No componente de saúde, o Brasil avançou devido ao aumento da expectativa de vida. Os pesquisadores analisaram o número de anos produtivos que um indivíduo pode trabalhar em cada país na idade de 20 a 64 anos, levando em consideração os anos de escolaridade, o aprendizado e a saúde. O estado de saúde da força de trabalho brasileira se destaca na América Latina. A medida de saúde funcional, que calcula o impacto no trabalho de doenças como retardo de crescimento, perda auditiva e visão ou doenças infecciosas como malária ou tuberculose, colocou o Brasil no 53º lugar, subindo 27 posições desde 1990, um avanço superior a quase todo os demais países.

No quesito educação, no entanto, o Brasil perde pontos. Os brasileiros ficam menos anos na escola do que vários países da região: 11,9 anos entre os 18 possíveis medidos no estudo. Os brasileiros passam menos tempo na escola do que os cubanos, venezuelanos e panamenhos, mas mais do que argentinos, chilenos, bolivianos, peruanos, paraguaios e uruguaios. Isso coloca o Brasil na 81ª posição do mundo em termos de conquistas educacionais. Em 1990 estava ainda mais atrás, em 100º lugar no ranking mundial.

Este panorama é mantido se a qualidade dessa educação for analisada. O estudo mostra que o Brasil ficou em 98º lugar em 2016 no quesito aprendizado, medido pela pontuação média dos alunos em testes internacionalmente comparáveis.

- Melhoramos muito no acesso à educação, temos menos analfabetos, aumentamos os anos de estudo, mas, no quesito qualidade, nosso desempenho é muito ruim. Compromete nossa capacidade de inovação e de aumento da produtividade. É impossível falar de progresso quando as pessoas desconhecem ciência e tecnologia e não sabem fazer contas - avalia Fernanda de Negri, especialista em Inovação do Ipea.


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