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Ações de estatais disparam em dia de movimento recorde na Bolsa

O Globo, Economia, 09/out

No primeiro dia de pregão após o primeiro turno, a Bolsa bateu recorde de movimentação, com um total de R$ 29 bilhões em negócios. Ações de estatais dispararam.

Areação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais levou a Bolsa brasileira a registrar o maior volume financeiro da história. Os negócios totalizaram R$ 29 bilhões, acima dos R$ 25,9 bilhões do recorde anterior, de 17 de dezembro de 2014. A demanda por compras fez o Ibovespa fechar em alta de 4,57%, aos 86.083 pontos. O dólar comercial teve queda de 2,35%, a R$ 3,767, e, nas casas de câmbio, era possível comprar a moeda por R$ 3,93 em espécie, enquanto no cartão pré-pago a cotação ficava entre R$ 4,11 e R$ 4,17.

A vantagem de Jair Bolsonaro (PSL), que obteve 46% dos votos, sobre Fernando Haddad (PT), que ficou com 29%, fez com que os investidores apostassem em uma possível vitória do militar da reserva no segundo turno.


- A nova composição do Congresso mostra que ele (Bolsonaro) pode ter uma boa governabilidade e conseguir aprovar algumas reformas com maior facilidade. O mercado tende a ir mais para os candidatos com uma visão menos estatista - avaliou Fabrizio Velloni, chefe da mesa de operações da Frente Corretora.

José Alberto Tovar, sóciofundador da Truxt Investimentos, concorda com essa visão. Para ele, apesar das dúvidas sobre a habilidade de Bolsonaro em lidar com o Congresso, esse quadro se tornou mais amigável:


- O PSL, partido pelo qual concorre, conseguiu número expressivo de cadeiras, enquanto o PT perdeu lideranças importantes, e políticos associados ao toma-lá-dá-cá, como Romero Jucá e Eunício Oliveira, foram retirados. Trata-se de um Congresso diferente.

JUROS MAIS BAIXOS

Outros ativos também reagiram de forma positiva ao resultado do primeiro turno das eleições. Houve uma queda dos juros no mercado futuro, o que mostra uma expectativa de inflação controlada e menor necessidade de aumento da taxa básica (Selic, hoje em 6,5%) pelo Banco Central. Os contratos com vencimento em janeiro de 2020, negociados na B3, caíram de 8,22% para 7,85% ao ano.

Houve recuo também no principal indicador de riscopaís. O contrato de credit default swap (CDS, uma espécie de seguro contra calote da dívida do país) caiu de 245 pontos para 228 pontos centesimais. Quanto menor o nível do CDS, menor é o risco percebido pelos investidores sobre a economia local.

No mercado de ações, os papéis das empresas estatais dispararam. O setor bancário, de maior peso na composição do Ibovespa, também registrou fortes ganhos. As ações preferenciais( P N, sem direito a voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram, respectivamente,6,16% e 6,68%. Os papéis do Banco do Brasil avançaram 9,79%.

Bernd Berg, gestor de mercados emergentes na Woodman Asset Management em Zurique, na Suíça, acredita que o resultado do primeiro turno das eleições reduziu as incertezas, o que favoreceu o desempenho da Bolsa ontem:


- O partido (PSL) ganhou assentos no Congresso, logo, se ele (Bolsonaro) se tornar presidente, terá maior chances de passar reformas.

A disputa entre Bolsonaro e Haddad no segundo turno das eleições é vista com um misto de otimismo e cautela no mercado. Para alguns analistas, a distância entre os dois indica haver chance de vitória do candidato do PSL. Mas os fortes ganhos de ontem não indicam, necessariamente, uma tendência.

Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, ressalta que ainda pode haver volatilidade até o segundo turno. Conforme as pesquisas de intenção de voto, pode surgir uma nova onda de busca por proteção.

Em relatório, a agência de classificação de risco Moody's avalia que o resultado do primeiro turno sinaliza "polarização política", o que amplia os desafios do próximo governo em relação à aprovação das reformas.



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