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Desemprego elevado é desafio do novo governo

O Globo, Daiane Costa, 31/out

Quando assumir o comando do país, o presidente eleito Jair Bolsonaro vai se deparar com um mercado de trabalho com desemprego na casa dos dois dígitos há dois anos e o desafio de criar vagas formais e reduzir a subocupação. No terceiro trimestre do ano, a taxa recuou para 11,9%, ante um patamar de 12,4% em junho. Mesmo assim, o país ainda tem 12,5 milhões de desempregados.

O quadro do mercado de trabalho é ainda mais grave quando se incluem nesta conta os 4,8 milhões de brasileiros que desistiram de busca ruma vaga, os chamados desalentados; os 6,9 milhões que trabalham menos horas do que gostariam e os 3,2 milhões que gostariam de ter emprego, mas se veem impedidos porque cuidam de crianças ou idosos. No total, ainda falta trabalho para 27,3 milhões de pessoas no país.

Segundo Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, no terceiro trimestre houve aumento de 1,4 milhão de vagas em relação a igual período do ano anterior, mas, deste total, o mercado informal responde por 1,2 milhão de postos de trabalho, incluindo vagas sem carteira e conta própria.

Segundo o IBGE, as atividades que mais abriram postos no terceiro trimestre foram agricultura, construção e alimentação, como ambulantes e vendedores de quentinhas.

TAXA AINDA PODE SUBIR MAIS

Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, avalia que o patamar recorde para a pesquisa, iniciada em 2012, de 6,9 milhões de pessoas que trabalham menos do que gostariam, mostra que é preciso investir em políticas públicas para reduzir a fila de espera por uma vaga em creches públicas:


- Não é o emprego dos sonhos. Ao trabalhar menos de 40 horas semanais, a renda é menor, mas são pessoas que talvez estejam saindo de uma renda zero para algum ganho.

A taxa de desemprego voltou a ficar abaixo de 12% pela primeira vez desde o fim de 2017. E o grupo de trabalhadores com carteira assinada ficou estável, sem queda significativa, pela primeira após 13 trimestres, na comparação com igual trimestre do ano anterior. Para Xavier, a maior geração de vagas pode fazer a taxa de desemprego subir com aumento da procura por vagas no início do próximo ano:


- Quando o mercado começa a gerar vagas, ainda que não sejam de qualidade, muitas pessoas que estão na inatividade voltam a procurar emprego porque aumenta a esperança de conseguir trabalho. Com isso, podem pressionara taxa para cima.


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