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Recorde na poupança não alavanca venda de imóveis de médio padrão

R7, Alexandre Garcia, Economia, 31/out

O saldo de recursos presentes na poupança saltou 7% entre janeiro e setembro deste ano, se aproximou dos R$ 600 bilhões e puxou o crescimento no número de financiamentos com a grana da caderneta. Apesar do recorde, a venda de empreendimentos de médio e alto padrão segue em baixa.

Segundo dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), a comercialização de 33.893 unidades de médio e alto padrão no acumulado do ano até agosto representa uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com Rafael Sasso, sócio da Melhor Taxa, a procura pelos financiamentos foi notada nos últimos meses e atribui a estagnação nas vendas de médio e alto padrão ao cenário de incerteza econômica nacional.

"As pessoas querem se endividar em um momento em que tenham mais certeza da situação. Talvez, despois que passar as eleições, nós tenhamos um crescimento importante desse segmento", avalia.

A percepção de Sasso é a mesa partilhada por Daniele Akamines, advogada especialista em mercado imobiliário. Ela afirma que o ambiente atual do mercado foi ocasionado pela alta do desemprego e da incerteza política.

"No médio e alto padrão, onde os consumidores compram para investir ou mudar para um imóvel melhor, as pessoas preferem esperar para ver como vai se desenhar a situação e saber se vale a pena entrar em uma dívida", explica ela.

Ainda que a comercialização de imóveis de médio e alto padrão estejam em baixa, dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) mostram que foram financiadas 162 mil compras e construções de imóveis no Brasil com a utilização dos recursos da poupança nos primeiros nove meses do ano, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em junho, a agência de classificação de risco Moody's já previa que o mercado de financiamento imobiliário brasileiro ganharia força. O relatório afirma que o movimento seria fruto do "declínio gradual da inadimplência nas faixas de atraso iniciais, e o resultado da classe média lentamente voltado a uma situação financeira mais sólida após a recessão econômica".

Diante do cenário atual, Sasso já observa uma movimentação das construtoras para driblar a estagnação do setor: "Várias incorporadoras que fizeram médio e alto padrão nos últimos anos agora passaram a focar mais na média e baixa renda e em imóveis do Minha Casa Minha Vida".

MCMV

Os imóveis do programa Minha Casa Minha Vida aparecem na contramão das unidades de médio e alto padrão. De acordo com a Abrainc, somente neste ano já foram vendidos 76.205 imóveis do segmento, valor que representa uma alta de 21,5% em relação aos oito primeiros meses de 2018.

Daniele avalia que a concentração do aumento das vendas nos empreendimentos de baixa renda devido ao déficit habitacional maior do setor. "É o segmento onde as pessoas conseguem comparar", afirma a advogada.

De acordo com Sasso, os compradores dos imóveis de baixo padrão têm menos incertezas na hora de decidir a respeito da aquisição. "Muitas vezes, ele está apertado com aluguel e, dependendo da modalidade, vale muito a pena trocar o aluguel por um financiamento", destaca ele.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]