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Reformas e diversificação alavancam a construção

O Estado de S. Paulo online, PME, 27/jun

O setor de casa e construção começou 2019 com boas notícias. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento registrou crescimento de 12,9% no seu faturamento na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Esses números, no entanto, não podem ser considerados ainda uma tendência que se refletirá durante o ano.
"Esse crescimento provavelmente foi impulsionado pelo subsegmento de reformas, jardinagem e decoração. Não significa uma relação direta com a construção civil", comenta Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria.

"O consumidor final estava carente de cuidados e investiu em reformas. Os serviços de manutenção e limpeza estão com o mercado mais aquecido pela percepção das corporações da necessidade de gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo", afirma Ana Vecchi, especialista em franchising.

É o que diz Lara Rossete, gerente operacional do Grupo Zaiom, dono da franquia Doutor Faz Tudo. "A crise acabou ajudando a rede. Por causa dela, as pessoas procuram cada vez mais reformas, em vez de se arriscarem comprando imóveis novos."

Francisco Maciel, franqueado da Casa do Construtor, rede especializada em locação de equipamentos para construção civil, concorda. Parceiro da franquia desde 2009, ele diz que a crise afetou de forma muito pequena seu negócio por atuar no nicho do varejo da construção. Segundo Maciel, "se a pessoa não comprou um apartamento novo, ela vai reformar o que tem."

Maciel, de 69 anos, decidiu há dez anos, após se aposentar, entrar no ramo das franquias de casa e construção junto com sua esposa, Wilce Maciel, de 67. Há 37 anos atuando no mercado financeiro, ele diz que sempre gostou muito da área e, por indicação de um cliente antigo, acabou optando pela Casa do Construtor após realizar pesquisa sobre o assunto. Com um investimento inicial de R$ 400 mil para abrir sua primeira loja, hoje possui três estabelecimentos, um em Santana e dois em Santo André, no ABC paulista.

Variedade. O que também tem ocorrido nestes últimos anos, por causa da crise, é uma diversificação do setor, com a inserção, por exemplo, de produtos de outras áreas, como jardinagem e limpeza, o que gerou uma mudança do perfil dos clientes. Se antes eles eram principalmente da área da construção, passaram a incorporar pessoas e empresas de fora do setor, como condomínios.

Sobre isso, Maciel destaca: "Nós fomos diversificando a linha de produtos. Você tinha quatro ou cinco produtos próprios da construção que eram os carros chefes, mas o crescimento que ocorreu no período se deu em outras linhas, como a de limpeza e conservação. Ocorreu uma alteração grande quando começamos a ver migrar os clientes, que eram ligados à construção. De repente, tínhamos mais pessoas físicas e jurídicas não ligadas à área comprando."

A iGUi, única empresa do ramo da construção a figurar no ranking da ABF das 50 maiores franquias em unidades de 2018, também diversificou seu portfólio, criando piscinas para um público de menor poder aquisitivo.

"Nosso perfil de consumidor, que era mais das classes A e B, mudou porque criamos novos produtos, passando a incorporar também a classe C", diz Filipe Sisson, fundador e CEO da rede.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]