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Resale põe no ar site de imóveis com desconto

Valor Econômico, Adriana Cotias, 12/nov

Com os juros no chão e o reaquecimento do mercado imobiliário, a Resale, portal de venda e leilão de imóveis, resolveu avançar numa nova frente, com o site Imóveis com Desconto. Como o próprio nome sugere, a empresa, que tem como sócio majoritário o BTG Pactual, começou a fazer a oferta de apartamentos novos com custo, em média, até 30% abaixo do valor de mercado para quem busca moradia ou uma alternativa de investimento para obter renda com aluguéis.

Uma primeira leva contempla 200 imóveis em praças como Manaus (AM), Belo Horizonte (MG) e o interior do Rio e de São Paulo, com um valor geral de vendas (VGV) de cerca de R$ 50 milhões, conta Marcelo Prata, sócio-fundador da Resale. A barganha, por assim dizer, é possível porque a lista inclui um lote comprado no atacado pela Enforce, empresa de recuperação de ativos do BTG, com imóveis dados em dação de pagamento a bancos por incorporadoras que tiveram dificuldades para honrar seus compromissos.

"É diferente dos retomados tradicionais porque na maior parte das vezes o imóvel está desocupado, nunca teve uso e ainda está no padrão da construtora", diz Prata. "Como foram comprados com desconto, é possível levar o produto para o mercado com preço abaixo do que o consumidor encontraria."

Todo o desembaraço financeiro e jurídico é feito pela Enforce, o que quer dizer que quando o imóvel chega à plataforma está livre de qualquer ônus para o consumidor. Esse é um dos grandes diferenciais em relação aos leilões de imóveis, conta Ricardo Cardoso, executivo-chefe da Enforce. "A ideia foi tentar criar uma figura nova no mercado com mais credibilidade para o imóvel retomado para o pequeno investidor, desmistificar o ativo retomado para que chegue a mais pessoas, ao comprador que não é aquele 'raiz' , acostumado a participar dos leilões."

Cardoso antecipa que o Imóveis com Desconto vai contemplar outras capitais e diz já haver o equivalente a R$ 1 bilhão em imóveis mapeados para 2020. Não dá para detalhar quais as regiões, explica, porque como as compras são feitas no atacado a empresa adquire "o filé mignon, a alcatra, mas também a carne de segunda". A primeira tranche posta à venda foi de imóveis residenciais, mas já há um lote de 300 salas comerciais que já estão performando - ou seja, proporcionando renda de aluguel - e serão colocadas na prateleira "aos poucos, para criar o sentimento de escassez", algo comum na mídia digital.

A redução da Selic, hoje na mínima de 5% ao ano, tem tudo a ver com o lançamento do novo site. "A gente percebe o aquecimento desse mercado. E com a possibilidade de a taxa cair mais, a 4,5%, o dinheiro está queimando na mão do investidor. Por isso tem um movimento de rentistas que começam a ficar preocupados", diz Cardoso. "E como o investidor pode pagar mais barato [na nova plataforma], alugar fica mais competitivo." Entre os compradores, há, por exemplo, comerciantes e profissionais liberais, muitos deles já donos de um imóvel para habitação.

Pela plataforma é possível também cotar alternativas de financiamento. Prata explica que não se trata de uma oferta casada, o cliente pode contratar seu crédito fora, mas dentro do ambiente on-line é possível ter um atalho sem ter que recorrer a uma agência bancária.

O mercado de retomados é estimado em cerca de R$ 18 bilhões pelos dados dos balanços dos bancos, cita Prata. Mas dadas as dificuldades de liquidez desses ativos, muitas instituições acabam não executando a regra de cobrança de contratos inadimplentes - com atrasos a partir de 90 dias -, porque quando trazem o bem para dentro acabam assumindo custos imediatos, como as despesas de condomínio e o IPTU. "Os bancos tentam renegociar a dívida e protelar o processo de retomada, esse número quase dobraria se fossem executar a régua de cobrança."

Pelo portal da Resale já foram transacionados 2,3 mil imóveis, adquiridos pelo investidor de varejo. Esse tem sido um canal para escoar a carteira de retomados do Santander e do Banco do Brasil em todo o país, além de bens de instituições menores e de administradoras de consórcios, descreve Prata. Para o ano que vem, a expectativa é chegar a 10 mil unidades vendidas. Para acelerar o passo, a empresa adicionou serviços de pós-venda, do monitoramento da escrituração e registro do imóvel à assessoria que já prestava até a assinatura do contrato com o banco.

A plataforma é remunerada pelos honorários de intermediação, equivalentes a 5% sobre o valor do imóvel, da mesma forma que ocorreria na venda por meio de uma imobiliária tradicional ou num leilão. Uma outra fonte de receita vem dos bancos parceiros, pela performance de gestão de algumas das carteiras de imóveis.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]