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Mudança no FGTS valoriza incorporadoras

Valor Econômico, Empresas, 13/dez

As ações das incorporadoras de capital aberto com foco na baixa renda reagiram positivamente ontem às mudanças propostas pelo governo no programa Minha Casa, Minha Vida. O governo mudou a vinculação do subsídio a uma fatia do programa ao lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Na B3, os papéis da MRV Engenharia fecharam com alta de 6,16%, cotados a R$ 20,86. Tenda teve valorização de 5,09%, para R$ 26,62, e Direcional Engenharia teve alta de 2,07%, para R$ 13,82.

Segundo o diretor executivo de finanças e relações com investidores da MRV, Ricardo Paixão, o veto surpreendeu todo o mercado e mostrou o compromisso do governo com o programa habitacional. A MRV é a maior incorporadora do país e a principal operadora do Minha Casa, Minha Vida.

A vinculação do subsídio ao lucro do FGTS do ano anterior, prevista pela MP 889/2019, resultaria em redução da benesse em 2020, 2021 e 2022. "Com juros baixos, o lucro do FGTS já não cresce", diz um analista setorial. A desvinculação possibilita, segundo ele, que o orçamento do fundo para habitação fique "um pouco mais estável".

Além de atrelar o subsídio ao ganho do fundo, a MP 889/2019 previa decréscimo do percentual do lucro destinado para essa finalidade. A fatia de 40% do lucro do FGTS, em 2019, seria reduzida para 38%, em 2020. Em 2021 cairia para 36%. E chegaria em 2022 em 33,3%. Conforme o executivo da MRV, a manutenção dessa regra resultaria em queda gradativa do subsídio do programa dos R$ 9 bilhões deste ano para R$ 6 bilhões em 2022.

Na avaliação do presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro, o veto à vinculação do subsídio ao lucro do FGTS é importante para a manutenção do programa habitacional.

"Poderia haver problemas no futuro. O veto traz mais segurança para empresas voltarem a investir no programa. O setor tem um ciclo muito longo", diz Ribeiro. O presidente da Direcional ressaltou que o programa habitacional possibilita a aquisição da moradia por famílias de baixa renda e a geração de empregos.

Em relatório, o Credit Suisse cita que, embora a exclusão do limite de subsídios não mude a situação desafiadora do FGTS relacionada à rentabilidade em queda, a mudança proporciona mais flexibilidade para "um pouso suave" em relação ao tamanho do programa habitacional - níveis de concessões e subsídios do FGTS. O Credit pondera que o veto ainda pode ser revertido pelo Congresso, mas diz ver como pequena essa possibilidade.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]