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Gafisa e Upcon começaram a negociar incorporação há quatro meses

Valor Econômico, Chiara Quintão, 20/dez

Quando a nova gestão da Gafisa assumiu a companhia, em março, foi cobrada pelo mercado por não ter experiência nas atividades de incorporação, construção e vendas, mas sim em reestruturação de empresas. Por outro lado, a Upcon Incorporadora pretendia realizar uma oferta inicial de ações (IPO). Diante desse cenário, Fator e Portbank aproximaram as duas partes, segundo o Valor apurou. Após quatro meses de conversas, chegou-se ao modelo de incorporação da Upcon pela Gafisa, por meio da troca de ações, anunciado na segunda-feira.

Procuradas pela reportagem para comentar os bastidores da operação, Gafisa e Upcon não quiseram se manifestar.

A relação de troca dos papéis ainda não foi divulgada, mas os sócios da Upcon terão participação relevante na companhia combinada, ficando entre os cinco maiores acionistas, segundo fonte. Planner Redwood Asset - que detém, atualmente, 31,3% da Gafisa - continuará como maior acionista na nova configuração da empresa, que seguirá como "corporation", ou seja, sem controle definido. O investidor Nelson Tanure é o maior cotista dos fundos administrados pela Planner que participam do capital da Gafisa.

Na avaliação de um analista, a princípio, a estratégia adotada por Gafisa e Upcon se mostra interessante. "Gafisa precisa recompor seu time e o banco de terrenos. A incorporadora corria o risco de perder o bonde do novo ciclo imobiliário. Já os atuais controladores da Upcon passam a fazer parte de uma empresa líquida, ainda que herdem o legado dos problemas da Gafisa", afirma, ressaltando que visão mais clara do negócio depende da relação de troca das ações.

Segundo fonte, a Upcon será subsidiária integral da Gafisa, com foco em negócios da área digital. Gilberto Benevides, um dos sócios da Upcon, fará parte do conselho de administração da Gafisa. Guilherme Benevides (filho de Gilberto) e Fábio Romano - também sócios da Upcon - integrarão a diretoria.

Segundo fonte, a Gafisa vai lançar pelo menos quatro projetos, no primeiro semestre de 2020, e outros quatro na segunda metade do ano. Na segunda-feira, Eduardo Jácome, membro do conselho de administração e do comitê de gestão da Gafisa, informou ao Valor que a meta de lançamentos para a empresa combinada, em 2020, é de R$ 1 bilhão.

Por enquanto, Gafisa e Upcon assinaram um protocolo não vinculante. A operação precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e em assembleia geral extraordinária (AGE) dos acionistas da Gafisa. Há expectativa que o fechamento efetivo do contrato ocorra em até 60 dias.

O Valor apurou que, após a conclusão da operação, a empresa combinada fará aumento de capital. Neste ano, houve capitalização da Gafisa em duas etapas. Na primeira, R$ 132 milhões entraram no caixa e, na segunda, foram captados R$ 272,7 milhões.

Em outubro, a Planner foi contratada como instituição financeira para estruturar captação de até US$ 150 milhões de debêntures conversíveis da Gafisa em ações. Essa emissão ocorrerá após a aquisição da Upcon ser concluída e após relistagem dos ADRs (recibos de ações) da Gafisa no nível 3 da Bolsa de Nova York. A deslistagem ocorreu quando o GWI Group, do investidor Mu Hak You, estava à frente da companhia. Atualmente, a Gafisa possui ADRs no nível 1.

Mu Hak You deixou de ser o maior acionista da Gafisa ao vender, em leilão, parte de seus papéis da companhia, em fevereiro, para investidores representados pela Planner. 

Posteriormente, o GWI saiu completamente da incorporadora.

Com nome conhecido no mercado, a Gafisa vive seu processo de reestruturação. No fim de setembro, a dívida da companhia era de R$ 750,8 milhões. Ontem, as ações registraram alta de 1,99%, na B3, cotadas a R$ 7,70.

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