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Moradias estudantis apostam em retrofit e aluguel de até R$ 4.750

Folha de São Paulo, Fernanda Brigatti, 13/fev

Para atender a estudantes universitários de classe média-alta, investidores estão construindo ou reformando prédios que serão locados exclusivamente para moradia estudantil.

Os aluguéis vão de R$ 1.000 (por pessoa em quarto compartilhado) a R$ 4.750 (para quem pode pagar uma quitinete individual com varanda e vista para o mar no Rio).

A título de comparação, em dezembro o aluguel de um apartamento de um dormitório na região central de São Paulo custava a partir de R$ 29,29 por metro quadrado, segundo o Secovi-SP (Sindicato da Habitação) - o levantamento não separa quitinetes.

Um imóvel de 30 m², por exemplo, chegaria a R$ 879 mensais. Nos Jardins, área mais nobre, a R$ 1.167.

A consultoria Bonard, que orienta empresas que desejam entrar nesse mercado, estima que hoje 3.000 pessoas vivam em moradias estudantis no país -o potencial seria atender 90 mil dos 6,4 milhões de estudantes em cursos presenciais de universidades públicas e privadas.

A expansão acelerada poderia se dar porque esse tipo de negócio cresce em retrofits, prédios antigos que são completamente reformados. Como o edifício não é construído do zero, o tempo para início das locações cai de até três anos para alguns meses.

Ao menos cinco empresas já administram prédios em São Paulo, no Rio e em Ribeirão Preto. Em um primeiro momento, o segmento atrai companhias que desejam atuar diretamente no negócio, mas em uma segunda fase, de amadurecimento do mercado, pode atrair fundos imobiliários.

Gustavo Favaron, do GRI Group, clube de investimentos voltado ao mercado imobiliário, considera que o crescimento desse segmento tem um fator conjuntural - a demanda reprimida de investimentos, com aquedada taxa de juros do país, hoje em 4,25% ao ano - e outro estrutural.

"Tenho dificuldade de não associar esse modelo de negócios a uma mudança cultural, de pessoas que querem privacidade, mas também compartilhar experiências", afirma.

O modelo que investidores tentam emplacar aqui é considerado popular em países europeus e nos EUA.

A Uliving, primeira a testar o modelo, levou quase seis anos para aprimorar o desenho de seus prédios -as primeiras experiências, uma em Sorocaba e outra na capital, foram vendidas em 2018. Segundo Juliano Andrade, presidente da empresa, os prédios não tinham espaços compartilhados e de convivência, essenciais a esses projetos.

A taxa de ocupação está hoje em 82%, e 60% dos contratos são renovados para um segundo ano. A fatia cai a 50% no terceiro ano. "É quando os estudantes começam a ter mais autonomia", diz.

Para a estudante de arquitetura Thais Juan, 22, a escolha por uma residência estudantil veio após uma busca frustrada por apartamento e a ideia de que a família não concordaria com a mudança para uma república. Recém-chegada de Santos, ela diz que a facilidade de não precisar mobiliar um local também pesou.

Além da Uliving, também atuam no segmento a Share, a Amora, a Prolifico e a Kasa 99 -nesta, voltada ao conceito de "vida compartilhada", com estações de trabalho e serviços, 20% dos moradores em 2018 eram estudantes.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]