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Imóvel residencial vai ficar mais caro, prevê Secovi

Valor Econômico, Chiara Quintão, 14/fev

Depois de registrar em 2019 seu melhor ano em lançamentos e vendas, o mercado paulistano de imóveis residenciais novos deve apresentar, em 2020, "relativa estabilidade de volumes", conforme Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. Mas, diante da expectativa de alta de preços, o Valor Geral de Vendas (VGV) deverá crescer.

É esperada valorização de preços dos imóveis, segundo Jafet, em função de custos de produção mais elevados, como os de terrenos e de outorga onerosa (contrapartidas financeiras para que incorporadoras possam erguer empreendimentos além do potencial construtivo básico, até o limite do coeficiente de aproveitamento máximo).

Em coletiva de imprensa para comentar os números de 2019 e as perspectivas para 2020, Jafet ressaltou também que estão sendo lançados muitos produtos compactos, com valor médio por metro quadrado superior ao de unidades de tamanho maior.

No ano passado, as vendas de imóveis residenciais novos tiveram forte alta de 49,5%, na comparação com 2018, para 44,7 mil unidades, na capital paulista, de acordo com o Secovi-SP. Foram lançadas 55,5 mil unidades, com aumento de 49,6%, conforme dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo Secovi-SP.

Em 2019, o VGV comercializado, na cidade de São Paulo, cresceu 44%, para R$ 22,3 bilhões, e o VGV lançado teve expansão de 47%, para R$ 27,9 bilhões.

Na avaliação de Jafet, a expansão do mercado imobiliário de São Paulo resultou, em 2019, de fatores como a queda de juros e o aumento da confiança do consumidor. É preciso levar em conta também, segundo ele, a base fraca de comparação de 2018.

Neste ano, o Secovi-SP vai propor aos candidatos à prefeitura de São Paulo novos modelos urbanísticos, como mudança de legislação de retrofit, ou seja, de recuperação de edifícios antigos. Para solucionar parte dos pontos que precisam ser modificados, segundo o presidente da entidade, é necessário, inicialmente, que haja calibragem do Plano Diretor da capital paulista, processo que ele chama de "band-aid", ou seja, de um curativo para as questões mais urgentes.

"Se continuarmos, da mesma forma, nos próximos anos, São Paulo vai se afastar ainda mais dos centros modernos do mundo. Ocorre aqui um processo de gentrificação. Estamos deixando as áreas mais dotadas de infraestrutura para as pessoas com mais com mais poder aquisitivo. A mobilidade está cada vez mais difícil em função da legislação", disse Jafet.

Já o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, afirmou que sua maior preocupação se refere ao orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "A preocupação é muito grande, mas esperamos terminar o ano de 2020 com o mesmo número de contratações que tivemos em 2019", disse Petrucci.

Segundo Petrucci, as medidas de crédito imobiliário anunciadas pela Caixa Econômica Federal, na quarta-feira, são "muito bem-vindas". "A Caixa é o maior agente financeiro. 

Todos os anúncios são recebidos com muito otimismo", disse o economista, acrescentando que está previsto para terça-feira o anúncio de financiamento com parcelas fixas pelo banco público.

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