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Para os jovens, localização do imóvel é prioridade

O Estado de S. Paulo, Especial Top Imobiliário, 31/jul

A pandemia de covid-19 mudou a relação entre as pessoas e seus lares. Na reclusão, a casa passou a abrigar todas as atividades antes feitas externamente, como exercícios, compras e trabalho. Em consequência, aumentou o interesse por apartamentos de maior metragem e mais afastados do centro. Mas lógica não é unanimidade em todas as todas as faixas etárias.

Ana Amoroso, de 26 anos, diz que vai continuar dando prioridade à localização na busca pelo lugar ideal: um apartamento de um quarto. "Hoje, moro muito perto do trabalho e não queria perder isso. Mas é um bairro caro, então busco algo também próximo ao metrô", diz.

De 2010 a 2019, a área útil média de apartamentos de um dormitório passou de 47 m² para apenas 30 m² em São Paulo.

O caso de Ana não é isolado. Um levantamento realizado pelo Grupo Zap captou essa postura da chamada geração Z (nascidos entre o começo dos anos 1990 até 2010).

Para 48% dos respondentes nessa faixa etária é importante que o futuro imóvel seja próximo do local de trabalho. O questionário, aplicado pelo portal entre 29 de maio e 7 de junho, obteve 3.469 respostas e já reflete os efeitos da pandemia.

O fato de estar trabalhando remotamente durante a quarentena não seduziu a produtora de vídeo Gabriella Bueno, 21 anos, a morar longe do trabalho em um lugar mais amplo. Ela não abre mão da praticidade de viver perto do escritório. "Talvez eu tenha de voltar a trabalhar presencialmente, então, já estou procurando", diz.

No entanto, a Newcore, aplicativo de intermediação entre potenciais compradores e corretores autônomos, aponta que moradias com mais de 150 m² e afastadas de regiões centrais ganharam evidência. "A quarentena recalibrou os parâmetros de busca, que agora priorizam espaço e mais conforto em detrimento de localização em áreas próximas ao trabalho", opina Luiz Moraes, CEO da Newcore.

Para o economista Fabio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ainda é cedo para falar em tendências. "É um momento muito pontual, então não dá para garantir que, quando a pandemia passar, é isso que vai acontecer."

Além disso, o preço também contribui para que esse cenário não se aplique aos jovens. Ainda no início da carreira, há limitação financeira que os impede de arcar com os custos de uma casa ou um apartamento espaçoso.

Nesse sentido, a locação, em detrimento da compra, também é mais favorável. Segundo o levantamento do Grupo Zap, 65% da população jovem tem maior interesse no aluguel. 

Ainda que não leve à busca por outros modelos de imóveis, a quarentena teve a sua influência no lifestyle juvenil. Para Ana, apenas intensificou a vontade de conseguir a casa própria. "Eu morava com meus pais e avós e, por causa da pandemia, está todo mundo em casa. Mesmo em home office, tem dias que preciso ir ao escritório. Para não prejudicá-los, estou ficando com outros familiares", conta.

Já o designer gráfico Gabriel Alves, 25 anos, foi para um novo apartamento com a namorada em meio à pandemia. Ele, que já trabalhava em casa, teve de ajustar o ambiente de 60 m² para que os dois pudessem dividir o espaço confortavelmente. "Compramos uma mesa grande e transformamos o espaço, que antes seria voltado para o meu trabalho, em um superescritório", diz. "Nesses momentos, parece que a gente extrai o máximo da nossa casa."

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]