O cenário econômico brasileiro segue marcado por incerteza — a expectativa de inflação e o pessimismo com a economia continuam pressionando o humor do consumidor. Mesmo nesse contexto, o mercado imobiliário caminha por um caminho próprio, com sinais de confiança em alta que convivem com dificuldades concretas na hora de fechar negócio. É esse contraste que a pesquisa Índice de Confiança do Mercado Imobiliário, realizada pela Loft em parceria com a Offerwise, ajuda a explicar.
Confiança no mercado imobiliário bate recorde
O índice de confiança do mercado imobiliário — que mede o equilíbrio entre oferta e demanda por imóveis — atingiu na Onda 6 o maior patamar desde a Onda 3, quando a metodologia atual passou a ser aplicada de forma consolidada. O indicador aponta para mais demanda do que oferta disponível no mercado.
- 22% dos entrevistados são proprietários de imóveis, e 16% têm imóveis disponíveis para locação ou venda
- 21% pretendem comprar ou alugar um imóvel nos próximos meses
- Desse grupo, 4% vão mudar para um imóvel alugado e 3% querem comprar um imóvel residencial ou comercial
O índice varia numa escala de -7 (baixa demanda, alta oferta) a +7 (alta demanda, baixa oferta). Na Onda 6, o resultado consolidado ficou em 5 pontos, empatando com a Onda 3 como o maior valor da série.
Mas a jornada de compra segue travada
O otimismo com o mercado não se traduz automaticamente em uma jornada mais fácil para quem está comprando. Entre quem está no processo de aquisição de um imóvel:
- 93% relatam alguma dificuldade no processo de compra
- 31% já desistiram de comprar um imóvel em algum momento
Os principais obstáculos apontados têm um denominador comum: o bolso do consumidor.
| Fator de dificuldade | % que cita |
|---|---|
| Dívidas ou compromissos financeiros | 24% |
| Preços dos imóveis muito altos em relação ao orçamento | 24% |
| Dificuldade em juntar o valor da entrada | 22% |
| Taxa de juros alta no financiamento imobiliário | 22% |
| Renda insuficiente para ser aprovado no financiamento | 21% |
Entre quem já desistiu de uma compra, os motivos seguem a mesma linha: juros do financiamento muito altos (21%) e parcelas mais altas do que o esperado (14%) lideram as respostas.
O gap entre o que compradores e vendedores esperam bate recorde
Uma das explicações para essa dificuldade aparece na comparação entre o valor que vendedores pedem e o valor que compradores estão dispostos a pagar. Na Onda 6, esse descompasso chegou ao maior patamar desde o início do estudo, especialmente na faixa de imóveis de até R$ 350 mil:
- Vendedores que pedem até R$ 350 mil: 34%
- Compradores que buscam imóveis nessa faixa: 49%
- Diferença (gap): 15 pontos percentuais — o maior da série histórica