Quem decidiu esperar por um cenário econômico mais favorável para comprar um imóvel pode ter tomado uma decisão financeiramente mais cara. É o que aponta um levantamento realizado pela área de Crédito Imobiliário da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ em suas 78 cidades de atuação.
Apesar da pandemia, da inflação elevada e dos juros altos que marcaram os últimos anos, o mercado imobiliário nas regiões de atuação da cooperativa continuou valorizando acima da inflação, impulsionado por fatores locais como: expansão industrial, crescimento do agronegócio, investimentos em infraestrutura e fortalecimento do turismo.
Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta aproximada de 34,08% entre 2020 e 2025, cidades estratégicas registraram aumentos muito superiores. O Brasil, inclusive, liderou por cinco anos consecutivos o ranking mundial de valorização imobiliária, à frente de mercados tradicionalmente aquecidos.
São José dos Campos lidera valorização
Um dos exemplos mais expressivos é São José dos Campos (SP). Em janeiro de 2020, o valor médio do metro quadrado era de R$ 4.849. Em junho de 2026, passou para R$ 9.470, uma valorização de aproximadamente 95%. Na prática, um imóvel de 100 metros quadrados que custava cerca de R$ 485 mil passou a valer aproximadamente R$ 947 mil - uma diferença superior a R$ 462 mil. "Quando olhamos apenas para a taxa de juros, muitas vezes deixamos de considerar outro fator igualmente importante: a valorização do imóvel. Em diversos casos, o patrimônio valorizou em ritmo superior ao aumento do custo do crédito, o que significa que esperar também teve um preço", explica Felipe Presa, especialista em crédito imobiliário do Sicredi.
Cada região teve seus próprios motores de valorização
Embora o movimento tenha ocorrido em todo o país, as razões variam conforme a realidade de cada região. No Paraná, cidades como: Cascavel, Foz do Iguaçu e Medianeira mantiveram um mercado imobiliário aquecido, impulsionado pelo agronegócio, pelo crescimento urbano e pelos investimentos em infraestrutura. “Em Cascavel, por exemplo, bairros em expansão seguem atraindo novos empreendimentos, enquanto Foz do Iguaçu combina turismo, desenvolvimento econômico e elevada demanda por locações", comenta o especialista.
Em São Paulo, além do crescimento observado no Vale do Paraíba, o Litoral Norte vive uma nova dinâmica desde a duplicação da Rodovia dos Tamoios e a implantação dos novos contornos viários. A melhora na mobilidade transformou muitos imóveis de veraneio em residências permanentes, aumentando a procura em cidades como Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba, onde a oferta é naturalmente limitada.
Já no Sul Fluminense, municípios como Volta Redonda e Resende permanecem entre os mercados mais valorizados do interior do Rio de Janeiro, impulsionados principalmente pela atividade industrial e pela atração de novos investimentos.
Construir também ficou mais caro
Quem optou por construir também enfrentou custos maiores. Além da valorização dos terrenos e imóveis prontos, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,68% nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2026, percentual superior ao da inflação geral. O aumento nos custos de materiais e mão de obra continua pressionando os preços dos novos empreendimentos.
O momento pode representar uma oportunidade
Apesar do histórico recente de forte valorização, os indicadores de 2026 mostram uma desaceleração no ritmo de crescimento dos preços dos imóveis. No primeiro semestre deste ano, a valorização média nacional foi de 2,42%, abaixo da inflação acumulada no período, de 3,62%. Embora isso não represente redução nos preços, especialistas avaliam que o mercado vive um momento de maior estabilidade, criando uma janela favorável para quem pretende comprar de forma planejada.
De acordo com Presa, mais importante do que tentar prever o comportamento do mercado é avaliar a realidade financeira de cada família. "Ninguém consegue prever exatamente quando o mercado vai subir, desacelerar ou como estarão os juros daqui a alguns meses. O que faz diferença é ter planejamento, conhecer sua capacidade financeira e escolher uma linha de crédito adequada ao seu perfil. Quando a decisão é bem estruturada, o financiamento deixa de ser apenas uma forma de compra e passa a ser uma estratégia de construção de patrimônio", orienta.
Nos últimos anos, o mercado mostrou que esperar nem sempre significa economizar. Em muitos casos, o imóvel valorizou mais rápido do que a capacidade de compra de quem adiou a decisão. Por isso, antes de esperar pelo "momento perfeito", vale refletir: ele realmente vai chegar ou o melhor momento é quando o planejamento financeiro encontra uma boa oportunidade?
Sobre o Sicredi
O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento de seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. Possui um modelo de gestão que valoriza a participação dos mais de 10 milhões de associados, que exercem o papel de donos do negócio. Com mais de 3 mil agências, o Sicredi está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, oferecendo um portfólio completo de soluções financeiras e não financeiras.