O cenário imobiliário brasileiro em 2025 revela uma descentralização do crescimento, com capitais fora do eixo Rio-São Paulo assumindo papéis de destaque tanto em novas construções quanto na velocidade de vendas. O novo relatório da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), baseado em dados da GeoBrain, destaca que o mercado nacional está em plena reconfiguração, com o Nordeste e o Sul apresentando os saltos mais expressivos de produtividade e valor de mercado.
O fenômeno Recife
Recife consolidou-se como a grande surpresa positiva de 2025. A capital pernambucana demonstrou uma resiliência e um apetite de investimento acima da média nacional, com lançamentos em disparada. A cidade subiu 7 posições no ranking de Valor Geral de Lançamentos, alcançando a 6ª colocação nacional.
Além disso, o Volume Financeiro também cresceu. O total de lançamentos atingiu R$ 3 bilhões, o que representa uma expansão de 57% em relação ao ano de 2024.
No ranking de vendas, a cidade também avançou, subindo 3 posições e fixando-se no 9º lugar entre as capitais mais competitivas.
Radiografia nacional
Embora novos polos ganhem força, a capital paulista mantém sua soberania absoluta, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta um período de ajuste:
São Paulo (1º lugar): Segue isolada na liderança com um VGV de vendas de R$ 42,6 bilhões e lançamentos de R$ 38 bilhões (alta de 4% sobre 2024).
Rio de Janeiro (2º lugar): Mantém o vice-posto, porém com sinais de alerta: houve uma queda acentuada de 30% no VGV de vendas (R$ 6 bilhões) e de 20% nos lançamentos (R$ 6,1 bilhões).
O levantamento, que compreende o período de janeiro a setembro de 2025, aponta tendências claras em outras regiões: Florianópolis Foi o maior destaque em evolução de vendas, saltando 7 posições para o 4º lugar nacional. Puxada por imóveis de médio e alto padrão, a capital catarinense registrou um VGV de R$ 4,6 bilhões, um salto de 91%.
Fortaleza consolidou a 3ª posição em ambos os rankings, com um crescimento de 41% no VGV de vendas, somando R$ 4,9 bilhões.
Equilíbrio em MG, PR e GO
Belo Horizonte, Curitiba e Goiânia apresentaram vendas superiores aos lançamentos, sugerindo um movimento estratégico de queima de estoque e equilíbrio entre oferta e demanda. Belo Horizonte subiu duas posições em vendas, atingindo R$ 3,9 bilhões.
No interior de São Paulo, Campinas destaca-se como a única cidade não capital no Top 10 de lançamentos, subindo 4 posições e atingindo o 10º lugar com R$ 2 bilhões investidos.
A capital federal registrou a maior queda no ranking de vendas, perdendo 5 posições e terminando o período em 10º lugar. O ranking utiliza totais de lançamentos e imóveis dentro dos limites das cidades, desconsiderando regiões metropolitanas