O setor da construção civil prevê um crescimento de 2% em 2026, após um desempenho de 1,3% em 2025. A projeção é feita pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), com olhos na queda dos juros neste ano.
Caso o setor atinja a expectativa, 2026 será o terceiro ano consecutivo de expansão, mesmo que inferior aos 4,2% registrados em 2024, segundo dados da Cbic.
Juros menores e novos financiamentos
A possível redução da taxa Selic, nos próximos meses – que poderia chegar a 12% – é a principal esperança do setor. Além disso, estão no foco investimentos crescentes do programa Minha Casa, Minha Vida e o novo modelo de crédito habitacional voltado para a classe média.
Outra perspectiva positiva vem do orçamento recorde para ações financiadas pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A continuidade dos investimentos em infraestrutura também estão na conta. Só no ano passado, atingiram R$ 280 bilhões – 84% de origem privada.
Segundo Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Cbic, os investimentos em infraestrutura têm sido crucial para sustentar parte do crescimento da construção nos últimos anos. Em relação a 2024, houve alta de 3% na injeção de dinheiro para obras.
Desafios do setor
Apesar do cenário otimista, o setor ainda enfrenta entraves significativos. Pesquisa “Sondagem da Construção”, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Cbic aponta a carga tributária elevada como uma delas. Além disso, a escassez de mão de obra qualificada e o impacto do alto custo do trabalho pesam para o setor.
Em 2025, mesmo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrando o ano em 4,26%, os custos de construção, medidos pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), avançaram 5,92%. O destaque foi o aumento de 8,98% nos custos com mão de obra, pressionado pela menor taxa de desemprego da história, que fechou o ano em 5,1%.
Mercado de trabalho aquecido
O saldo de empregos da construção foi positivo em 2025. Fora 87.878 novas vagas formais abertas – elevando para 2,9 milhões o total de trabalhadores no setor. O salário médio de admissão ficou em R$ 2.476,70, acima da média nacional de R$ 2.294,62.
São Paulo foi o estado que mais gerou empregos na área, principalmente nos serviços especializados. Por outro lado, Minas Gerais apresentou o pior saldo, com a perda de mais de 6 mil postos, refletindo atrasos em obras de infraestrutura.