Construtora do Porto faz história e conduz maior frente simultânea de obras residenciais do Rio

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 3/fevereiro

Com 20 empreendimentos lançados na região, Cury colhe bons frutos depois de cinco anos da primeira arriscada no território.

Tocar simultaneamente 20 empreendimentos residenciais em um mesmo território não é apenas uma decisão empresarial. É um teste (pra cardíaco) de escala, coordenação e visão de longo prazo, sobretudo em um momento considerado sensível pelo mercado imobiliário. No Rio, hoje, nenhuma construtora enfrenta um desafio desse porte de forma tão concentrada quanto a Cury, que transformou o bairro do Santo Cristo no principal canteiro de obras residenciais da Região Central. A aposta, feita há cerca de cinco anos com o lançamento do primeiro empreendimento, mostrou resultados logo na primeira arriscada. 470 unidades vendidas em um mês. Marcas que agora parecem fáceis de ser batidas em um endereço que vem ganhando o gosto do carioca.

“Não é comum, no Rio, uma construtora assumir tantos projetos ao mesmo tempo em uma única região. Isso exige uma operação muito bem estruturada, planejamento de longo prazo e uma leitura cuidadosa do território”, afirma Leonardo Mesquita, CEO da Cury. “Você deixa de pensar apenas no empreendimento e passa a pensar no impacto urbano como um todo.”

Aposta boa é a que entrega escala

A decisão de ocupar a Região Portuária não foi óbvia. Durante décadas, a área esteve associada a galpões logísticos, terrenos industriais e grandes espaços ociosos e abandonados. Parte significativa do território ficou escondida sob o elevado da Perimetral, em um Rio que preferiu virar o rosto para uma das regiões mais antigas e simbólicas da cidade.

O jogo só virou com os projetos de revitalização impulsionados a partir da década passada, especialmente no ciclo que antecedeu a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A reabertura da área ao pedestre, a demolição da Perimetral, a criação do Boulevard Olímpico e a requalificação da Praça Mauá devolveram a região ao mapa da cidade. Agora, super popular.

Ainda assim, houve um hiato importante. Entre a entrega das primeiras obras urbanas e o início efetivo dos lançamentos residenciais, o mercado caminhou com cautela. Foi nesse vácuo, entre a reurbanização e a consolidação imobiliária, que a Cury decidiu entrar.

“A gente acreditou na Região Portuária antes de ela virar consenso no mercado”, diz Leonardo. “Era um território com localização estratégica, infraestrutura urbana sendo recuperada e uma história muito forte. Vimos ali um potencial real de moradia, não apenas de investimento.”

O coração da transformação

É no Santo Cristo que essa estratégia ganha corpo. Um dos bairros mais antigos do Rio, formado a partir da ocupação de portugueses que desembarcavam no antigo cais do porto, a área sempre teve importância na formação da malha urbana carioca. Ao longo do tempo, manteve núcleos residenciais ativos, especialmente no Morro do Pinto, hoje redescoberto pelos cariocas, que desbravam suas ladeiras, e ajudam a consolidar o novo polo de entretenimento noturno do Centro.

A diferença agora é a escala. O bairro, antes visto como zona de passagem ou apoio logístico, passa a receber um volume expressivo de novas moradias, alterando sua dinâmica urbana. A previsão é que a Região Portuária receba cerca de 45 mil novos moradores até 2029, o que exige não apenas novos prédios, mas infraestrutura compatível com esse crescimento.

“Quando você decide lançar muitos empreendimentos em um mesmo bairro, automaticamente assume uma responsabilidade maior. Não dá para pensar só dentro do muro do projeto. É preciso olhar para o entorno, para a infraestrutura e para a convivência urbana. Com o crescimento residencial que está em curso, é fundamental que a infraestrutura acompanhe. Esses investimentos ajudam a garantir qualidade de vida para quem chega e também para quem já mora na região.” afirma Mesquita, que já lidera obras de qualificação na infraestrutura do bairro.

Construir um “novo” bairro para antigos moradores

A concentração de empreendimentos levou a Cury a ir além do perímetro dos seus terrenos. Para dar conta da transformação, a construtora passou a investir em melhorias urbanas que ajudam a criar, aos poucos, uma ambiência mais próxima da ideia de bairro.

Entre as iniciativas, esteve a implantação de um sistema de monitoramento por câmeras interligadas, voltado ao aumento da segurança na região. Também entram no pacote melhorias nas redes de infraestrutura, como água, esgoto e drenagem, preparando o território para o adensamento populacional que já começou.

Outro eixo importante passa pela mobilidade ativa. Em parceria com a Prefeitura do Rio, a construtora assinou um termo de cooperação para a revitalização de 9,5 quilômetros de ciclovias na Região Portuária, incluindo a recuperação de 8,8 quilômetros já existentes e a criação de 660 metros de novas conexões. O projeto prevê ainda a instalação de dois bicicletários e investimentos estimados em R$ 2,5 milhões. A proposta dialoga com a localização estratégica da região, que já concentra VLT, acesso rápido ao Centro financeiro, à Avenida Rio Branco e a uma das maiores redes de transporte da cidade.

“A Região Portuária tem uma vantagem logística enorme. É um ponto de conexão da cidade, onde morar perto do trabalho e do lazer faz muita diferença no dia a dia”, explica Mesquita.

Além disso, surgem as chamadas ramblas — termo pouco usual no Rio e que, aos poucos, o carioca vai pegando o jeito. São pequenos calçadões entre um empreendimento e outro. A Cury vem tocando projetos de paisagismo, iluminação e áreas de convivência. Esses espaços funcionam como costura urbana, conectando os prédios, ruas e moradores, e ajudam a transformar antigos vazios em áreas de permanência.

Mercado aquecido

O movimento do Porto acompanha um cenário de forte aquecimento imobiliário no Rio. A área concentrou pelo quarto ano consecutivo o maior volume de lançamentos residenciais do município. Os dados são de um levantamento da Brain Inteligência Estratégica para o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon Rio). Os números indicam que 25% de todas as unidades lançadas na cidade do Rio ficaram concentradas no trecho do Santo Cristo,

“Quando os primeiros projetos performam bem, isso gera confiança”, afirma Mesquita. “Acreditamos que nosso trabalho acabou ajudando a mostrar que a Região Portuária é viável, desejável e tem muito espaço para crescer.”


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