Como todos já sabem, a região do entorno do Largo de São Francisco de Paula, no Centro do Rio, entrou recentemente no foco da Prefeitura para uma nova etapa de recuperação de imóveis históricos. Incluída no Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC, programa que oferece subsídios para a recuperação de casarios degradados, a área começa a reunir projetos de diferentes proprietários interessados em recuperar e dar novos usos aos endereços do trecho.
Entre eles estão antigos casarões da Rua do Teatro, vizinha ao campus da UFRJ, pertencentes à Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, responsável pela igreja que dá nome ao largo. A instituição pretende reconstruir fachadas destruídas por um incêndio e recuperar, aos poucos, outras propriedades que mantém na região.
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“A nossa ideia é, respeitando a identidade arquitetônica e visual da Igreja e a harmonia do conjunto urbano tombado, fazer um prédio bonito, que valorize ainda mais a igreja e a praça”, afirmou a instituição ao DIÁRIO DO RIO. Entre os endereços estão lotes atualmente ocupados por um estacionamento, atividade proibida por estarem inseridos no Corredor Cultural.
Segundo a Ordem, os espaços recuperados serão destinados às atividades institucionais da entidade, especialmente ações religiosas, culturais e educacionais. Parte poderá ser alugada para ajudar a custear essas iniciativas. A recuperação das demais propriedades ocorrerá de forma gradual, conforme as possibilidades de investimento e as prioridades da instituição.
Igreja também passa por restauração
A recuperação do entorno ocorre enquanto a própria Igreja de São Francisco de Paula passa por projetos de restauração e conservação, tanto nas áreas externas quanto internas. Segundo a Ordem, o objetivo é preservar o conjunto histórico construído por gerações de artesãos, artistas e construtores brasileiros dos séculos XVII e XVIII. A instituição também busca o apoio de patrocinadores e parceiros para os trabalhos.
A igreja é um dos principais exemplares da arquitetura histórica do Centro do Rio. A construção começou em 1759 e foi concluída em 1801. O templo foi erguido em um terreno que anteriormente era conhecido como “Sé Nova”.
Residencial será construído na mesma rua
Vizinho às propriedades da Ordem, outro conjunto histórico da Rua do Teatro também será recuperado. Como o DIÁRIO DO RIO revelou em primeira mão, seis imóveis, nos números 9, 11, 13, 15, 17 e 19, foram arrematados pela House RJ em leilão promovido pela Prefeitura.
A construtora prepara para o endereço um residencial com 43 apartamentos em formato de estúdio. A proposta prevê a preservação das fachadas históricas voltadas para a rua e a construção de um novo edifício nos fundos dos terrenos.
Os imóveis foram adquiridos por R$ 2,18 milhões, em dezembro de 2025, dentro do Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC. O projeto é assinado pelo arquiteto e urbanista Rogério Goldfeld Cardeman, do escritório DC Arquitetura, em parceria com a Basesete Arquitetura, e está em análise no Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).