A Prefeitura do Rio formalizou, nesta terça-feira (22/09), a desapropriação do Solar dos Abacaxis e da Casa de Cândido Portinari, dois imóveis históricos do Cosme Velho, na Zona Sul. Os casarões apresentam problemas de conservação e já vinham sendo acompanhados por moradores e órgãos públicos. A medida ocorre poucos dias depois do desabamento parcial de outro imóvel na mesma rua, que deixou uma mulher de 43 anos e uma criança de 2 anos feridas.
Segundo a decisão publicada pelo município, os endereços serão desapropriados para fins de renovação urbana. Depois de incorporados ao patrimônio municipal, deverão ser levados a leilão, sob condição suspensiva de aquisição da propriedade pela Prefeitura. O destino dos imóveis ainda será definido. A desapropriação já havia sido anunciada pelo prefeito Eduardo Cavaliere no último sábado (19).
Alerta antigo no Cosme Velho
A situação dos casarões já vinha sendo acompanhada por moradores. Em março, a associação Viva Cosme Velho encaminhou à Subprefeitura da Zona Sul um levantamento sobre imóveis antigos do bairro. O documento apontava problemas como infiltrações, desprendimento de revestimentos das fachadas, esquadrias deterioradas e telhados com risco de queda.
A Casa de Cândido Portinari é tombada provisoriamente pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). O pintor viveu no endereço com a família entre 1943 e 1950. Nesse período, produziu mais de mil obras, entre elas a série Retirantes e o painel Tiradentes. O imóvel também já foi alvo de procedimento do Ministério Público do Rio relacionado ao seu estado de conservação.
No número 857, o Solar dos Abacaxis também tem uma história ligada à cultura carioca. O casarão foi residência da poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça e do historiador Marcos Carneiro de Mendonça, primeiro goleiro da Seleção Brasileira. O imóvel também já abrigou uma instituição cultural que adotou o nome do casarão.
A desapropriação dos dois endereços se soma à dos imóveis de números 362 e 370 da Rua Cosme Velho, também declarados de utilidade pública pelo município. O primeiro sofreu o desabamento parcial da fachada no último sábado. As duas construções foram interditadas após o acidente.
A Prefeitura afirma que a estratégia de desapropriar imóveis degradados e levá-los posteriormente a leilão também vem sendo adotada no Centro Histórico. Segundo o município, mais de 4 mil imóveis em condições precárias já foram mapeados na região central para ações de requalificação.