Comprar um imóvel financiado no Rio de Janeiro continua sendo um desafio que vai muito além de encontrar o apartamento ideal. A renda exigida pelos bancos para aprovar o crédito pode variar em mais de R$ 80 mil, dependendo do bairro escolhido. Nos endereços mais valorizados da cidade, como Leblon e Jardim Botânico, o comprador precisa comprovar renda mensal próxima de R$ 90 mil. Já em regiões como Campo Grande e Taquara, é possível conseguir financiamento com renda a partir de R$ 8,4 mil.
Os dados são do Financiômetro, ferramenta desenvolvida pela Loft que calcula as condições médias para financiamento imobiliário com base no preço dos imóveis efetivamente negociados entre março e junho de 2026 e nas condições oferecidas pelos principais bancos privados.
A simulação considera um financiamento de 80% do valor do imóvel, prazo de 420 meses (35 anos) e as taxas médias atualmente praticadas por Bradesco, Itaú e Santander. Os valores servem como referência e podem variar conforme o perfil do comprador e a análise de crédito feita por cada instituição financeira.
Entre os bairros com maior volume de compra e venda de imóveis na cidade, o Leblon lidera a lista das maiores rendas exigidas, com necessidade de comprovação de R$ 89.478 por mês. Aparecem ainda Ipanema (R$ 84.281) e a Barra da Tijuca (R$ 57.533).
Na outra ponta, Campo Grande apresenta a menor renda mínima entre os bairros mais negociados, de R$ 8.404 mensais. Taquara (R$ 9.326) e Jacarepaguá (R$ 11.933) também figuram entre as regiões mais acessíveis para quem depende de financiamento.
Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, o mercado imobiliário carioca reúne realidades bastante distintas. “O Rio de Janeiro reúne bairros com perfis imobiliários diversos, com exigências também muito diferentes para quem busca o crédito imobiliário.”
Bairros mais valorizados exigem renda ainda maior
O levantamento também analisou os bairros com os maiores tíquetes médios da cidade. Nesse recorte, Leblon e Jardim Botânico aparecem no topo da lista, ambos com imóveis que superam, em média, R$ 2,7 milhões.
Para financiar um imóvel nesses bairros, a renda mensal mínima estimada ultrapassa R$ 89 mil. Ipanema, Lagoa e São Conrado também exigem rendimentos elevados, entre R$ 68,8 mil e R$ 84,2 mil por mês.
Queda da Selic ainda não reduziu custo do financiamento
Embora a taxa básica de juros (Selic) tenha iniciado um ciclo de queda, passando de 14,75% para 14,25% ao ano em junho, os financiamentos imobiliários ainda seguem pressionados pelos juros elevados.
Pesquisa da Loft em parceria com a Offerwise mostra que os juros considerados altos são hoje o principal motivo para desistência da compra de um imóvel, citado por 22% dos entrevistados. Outros 21% afirmam abandonar o negócio porque as parcelas ficam acima do esperado.
Segundo a empresa, as reduções na Selic costumam demorar para chegar ao crédito imobiliário, já que os bancos ajustam suas políticas de financiamento de forma gradual.
Bairros com os maiores tíquetes médios
| Bairro | Renda mínima | Tíquete médio |
|---|---|---|
| Leblon | R$ 89.478 | R$ 2.741.662 |
| Jardim Botânico | R$ 89.012 | R$ 2.727.375 |
| Ipanema | R$ 84.281 | R$ 2.582.281 |
| Lagoa | R$ 78.841 | R$ 2.415.433 |
| São Conrado | R$ 68.889 | R$ 2.110.187 |
| Barra da Tijuca | R$ 57.533 | R$ 1.761.918 |
| Gávea | R$ 53.738 | R$ 1.645.516 |
| Leme | R$ 42.219 | R$ 1.292.236 |
| Itanhangá | R$ 38.518 | R$ 1.178.723 |
| Humaitá | R$ 38.088 | R$ 1.165.512 |
| Flamengo | R$ 32.460 | R$ 992.918 |
| Botafogo | R$ 30.702 | R$ 938.984 |
| Copacabana | R$ 27.962 | R$ 854.963 |
| Laranjeiras | R$ 27.532 | R$ 841.759 |
| Barra Olímpica | R$ 26.048 | R$ 796.272 |