Reajuste do Minha Casa, Minha Vida deve destravar crédito e ampliar acesso ao financiamento em 2026

em Blog A Crítica, 4/fevereiro

Atualização das faixas de renda busca corrigir distorções recentes e pode impulsionar contratações no segmento de habitação popular.

O governo federal trabalha na atualização das faixas de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em um movimento que busca corrigir distorções acumuladas nos últimos meses e ampliar o acesso ao financiamento habitacional. A revisão ocorre após o aumento do teto dos valores dos imóveis enquadrados no programa, especialmente na Faixa 2, além do reajuste do salário-mínimo, fatores que pressionaram os limites atuais de renda.

Entre as principais mudanças em discussão está a elevação do teto da Faixa 1, hoje em R$ 2.850, para um valor próximo de R$ 3.200. A Faixa 2 também deve ter o limite reajustado, passando de R$ 4.700 para cerca de R$ 5.000. A expectativa é que todas as faixas sejam revisadas, com anúncio oficial nos próximos meses.

Criado como a principal política habitacional do país, o Minha Casa, Minha Vida organiza o acesso ao crédito por faixas de renda que definem subsídios, taxas de juros e condições de financiamento. Como responde por grande parte das contratações imobiliárias no Brasil, ajustes no programa costumam gerar impacto direto no mercado e na construção civil.

Para o especialista em financiamento imobiliário Murilo Arjona, o reajuste das faixas tornou-se inevitável após mudanças recentes nas regras do próprio programa. “Da mesma forma que houve aumento no teto dos valores dos imóveis da Faixa 2, principalmente em novembro e dezembro, o aumento do teto de renda passa a ser necessário. Caso contrário, você amplia o valor do imóvel, mas restringe quem pode financiar”, explica.

Segundo Arjona, o reajuste do salário-mínimo também contribuiu para a defasagem das faixas. “Muitas famílias ultrapassaram o limite de renda apenas por conta do reajuste salarial, sem que isso representasse um ganho real de poder de compra. Isso cria um descompasso entre renda, preço do imóvel e acesso ao crédito”, afirma.

Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida atende famílias com renda bruta mensal de até R$ 12 mil, distribuídas em quatro faixas. As duas primeiras concentram o maior volume de contratações, justamente por oferecerem subsídios mais relevantes e juros reduzidos. A

expectativa do setor é que o reajuste amplie o número de famílias novamente enquadradas nessas categorias.

Para o especialista, o impacto prático tende a ser rápido. “Quando o teto do imóvel sobe e a renda não acompanha, o mercado trava. Ajustar as faixas destrava operações, permite novos lançamentos e devolve previsibilidade tanto para quem compra quanto para quem constrói”, avalia Arjona.

Outro ponto observado é o amadurecimento da Faixa 4, voltada à renda média. Embora ainda em fase de adaptação, ela deve ganhar relevância ao longo do próximo ciclo, desde que as faixas estejam bem calibradas e evitem exclusões involuntárias.

Do ponto de vista da política habitacional, a atualização busca recompor o público-alvo original do programa, ampliar o acesso ao crédito e estimular a cadeia da construção civil. Para Murilo Arjona, a medida vai além de um simples ajuste numérico. “Não é só aumentar renda ou valor de imóvel. É manter o programa funcional e conectado à realidade do mercado. Quando isso não acontece, o crédito existe, mas a contratação não flui”, conclui.

Com a revisão das regras, a expectativa é de retomada gradual das contratações, maior previsibilidade para lançamentos e ampliação do acesso ao financiamento habitacional nos próximos meses.


Ver online: Blog A Crítica