Apartamentos compactos e de luxo são apostas para 2026 no Rio

em O Globo / Morar Bem, 11/janeiro

O mercado imobiliário carioca aponta esses dois segmentos e os projetos do MCMV como motores do setor no ano que se inicia.

No Rio de Janeiro, 2025 firmou-se como um ano de forte desempenho do mercado imobiliário. Mesmo com juros elevados, foram vendidas 25.146 unidades residenciais entre janeiro e novembro, segundo o Secovi Rio, com base nas guias de ITBI pagas. O volume representa crescimento de 18,8% no volume de vendas de apartamentos em relação a 2024 e o melhor resultado dos últimos seis anos, reforçando a resiliência do setor. Barra da Tijuca (2.956), Copacabana (2.825) e Tijuca (1.581) lideraram as vendas no período, concentrando boa parte da demanda.

Em linha com o cenário nacional, os segmentos de luxo, superluxo e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) puxaram o mercado carioca nos nove primeiros meses do ano passado. Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que os lançamentos na cidade cresceram 7% frente a 2024. No recorte por segmento, o mercado de luxo ampliou sua fatia de 4,3% para 8,8% do total de unidades lançadas, evidenciando o fortalecimento desse nicho na capital fluminense.

— O mercado imobiliário cresceu em lançamentos e vendas mesmo com a taxa de juros elevada. Avançamos bastante nos imóveis compactos, que atraem investidores e compradores do primeiro imóvel, e o segmento de luxo praticamente dobrou sua participação em 2025 — afirma Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio.

Segundo especialistas do setor, esse movimento foi impulsionado pelo novo Plano Diretor de 2023, que trouxe maior segurança jurídica e abriu espaço para projetos mais compactos, inovadores e economicamente viáveis. A legislação também ampliou o uso de instrumentos como as operações urbanas consorciadas, consideradas estratégicas para o desenvolvimento das zonas Norte e Central da cidade. A demanda, por sua vez, segue aquecida: pesquisa indica que cinco em cada dez cariocas têm intenção de comprar um imóvel, o que ajuda a sustentar o ritmo do mercado.

Para 2026, a expectativa é de um ciclo de reequilíbrio e transformação. A projeção de queda gradual da Selic, aliada à inflação mais controlada e a um ambiente macroeconômico mais estável, tende a estimular a demanda, especialmente entre compradores de média e alta rendas, que aguardavam condições mais favoráveis de financiamento. Nesse cenário, os segmentos de luxo, superluxo e o MCMV devem continuar como os principais motores do setor.

— A nova legislação municipal do Minha Casa Minha Vida já deve gerar efeitos na Zona Norte, e há discussões sobre o Reviver Centro 3 para acelerar a ocupação residencial. A Zona Sul continuará muito valorizada, impulsionada pelo turismo e pela busca por imóveis para moradia e locação de curta temporada — diz Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ.

O Reviver Centro 3 deve ajustar pontos do programa a partir da experiência do Reviver Patrimônio, que já apresenta resultados na região da Praça Tiradentes. Na Zona Norte, São Cristóvão surge como uma aposta consistente por reunir incentivos semelhantes aos do Porto Maravilha, atraindo novos projetos residenciais. Apesar do cenário favorável, o mercado exige cautela.

Para Elcilio Britto, presidente da Lopes Rio — cujo VGV cresceu 10% em 2025, alcançando R$ 2,9 bilhões —, o bom desempenho está diretamente ligado aos lançamentos de estúdios em bairros centrais e da Zona Sul. — Este ano ainda é uma incógnita. Para ter bons resultados, é fundamental lançar produtos bem ajustados, com qualidade, boa localização e preço correto. O consumidor está mais exigente, e a concorrência só aumenta — afirma.


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