Comprar ou alugar imóvel? Veja o que é preciso calcular para decidir qual caminho seguir

em Extra / Economia, 23/agosto

Entrada de até 30% do valor do imóvel, ITBI de 3%, condomínio que passa de R$ 2 mil na Zona Sul e reajuste anual pelo IGP-M entram na conta. Especialistas detalham os gastos de cada opção.

O preço que aparece no anúncio é só o começo da conversa. Entre assinar um contrato de aluguel e receber as chaves de um imóvel próprio existe uma fila de taxas, impostos e garantias que não cabem no valor anunciado. Essas cobranças costumam pegar o morador de surpresa justamente no mês em que o orçamento já está apertado pela mudança. Saber quais são esses custos é o que separa uma decisão planejada de uma possível dor de cabeça financeira.

Quem compra precisa ter dinheiro guardado antes mesmo da primeira parcela. A entrada exigida pelos bancos vai de 20% a 30% do valor do imóvel, e a ela se somam a taxa de avaliação, entre R$ 200 e R$ 300, e os gastos com reforma. Já os custos de cartório podem ser diluídos nas parcelas. Depois vêm a prestação, que começa alta e cai ao longo do contrato, além do condomínio.

— Na Zona Sul, o condomínio fica na faixa de R$ 2 mil ou mais. Fora de áreas mais nobres, de R$ 500 a R$ 1.500 — afirma Marcelo Pires Leite, professor de Finanças da Estácio.

No aluguel, a garantia costuma ser o seguro-fiança, pago uma vez ao ano, ou a caução, de três a seis meses bloqueados em conta. As despesas do dia a dia seguem na conta do morador, e o reajuste anual acompanha o IGP-M em 90% dos contratos.

— Você fica exposto a uma inflação que não controla. A prestação da casa só diminui. O aluguel vai aumentar a vida inteira — diz Gilberto Braga, professor do Ibmec RJ.

Essa conta fez o engenheiro de dados Lucas Custódio, de 27 anos, mudar de ideia. Ele mora de aluguel desde fevereiro e planeja financiar um imóvel.

— Os reajustes do aluguel são bem mais altos do que o reajuste salarial. A parcela do financiamento não sofre reajuste, e qualquer sobra dá para amortizar e tirar três, quatro parcelas do fim — afirma ele.

Gilberto Braga explica que investimentos podem ser opções mais vantajosas do que financiamento para quem já tem um valor guardado.

— Do ponto de vista financeiro, essa pessoa ganha mais aplicando em renda fixa e pagando o aluguel com o rendimento do que comprando o apartamento. Mas você não sabe o que vai acontecer com a sua vida — pondera Braga.

Impostos entram na conta

Há 19 anos morando de aluguel, o técnico de áudio e vídeo Augusto Queiroz, de 43 anos, já simulou compra, financiamento e consórcio, mas sempre voltou atrás.

— Morar perto do trabalho é prioridade para mim. Com o aluguel, se eu mudar de emprego, consigo trocar de endereço com muito mais facilidade — diz.

Além do aluguel, na lista de gastos dele entram condomínio, taxas administrativas e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

— Do ponto de vista tributário, o aluguel é ruim porque você tem uma despesa e acaba não tendo dedução para fins de Imposto de Renda — afirma Thiago Laguna, tributarista do escritório Dib, Almeida, Laguna e Manssur.

Na compra, há ainda o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), de 3% sobre o valor da compra na cidade do Rio e pago antes mesmo da escritura, além do registro em cartório. Na prática, porém, muitas prefeituras calculam o imposto sobre um valor de referência próprio, quase sempre maior que o preço pago. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a base deve ser o valor da operação, mas quem quiser pagar menos precisa recorrer à Justiça.

— A prefeitura arbitra um valor e cobra sobre ele. Para pagar sobre o preço que você realmente pagou, é preciso entrar com uma ação — explica Laguna.

Nada disso, no entanto, precisa sair do bolso de uma vez.

— Você pode colocar isso dentro do financiamento. O banco paga o imposto e você dilui nas parcelas — explica Gilberto Braga, do Ibmec RJ.

Veja o que dizem os especialistas

O EXTRA lista abaixo os bônus e os ônus das práticas. Para isso, foram consultados o head comercial do QuintoAndar, Thiago Bernardes, a economista do Grupo OLX, Mariangela Silva, e o professor de Direito da Escola Paulista de Direito (EPD), Luiz Antonio Scavone Junior. No geral, os especialistas são unânimes ao apontar que a decisão deve levar em conta momento da vida, orçamento e os planos futuros.

Aluguel

Vantagens

  • Maior facilidade para se mudar, caso não goste do bairro ou a cota do condomínio suba demais;
  • É uma boa opção para quem não sabe se vai morar na região por muito tempo, caso queira morar perto do trabalho, mas o contrato seja temporário, e para quem busca um bairro mais nobre onde o preço de aquisição do imóvel é muito alto;
  • Não precisa arcar com obras estruturais, que ficam a cargo do dono;
  • É possível fazer um "test drive" para a aquisição do imóvel no futuro;
  • Permite aplicar parte de suas economias em investimentos rentáveis.

Desvantagens

  • Sujeito a pedido repentino de desocupação do imóvel;
  • O inquilino tem que permitir visitas de terceiros ao imóvel quando o proprietário quer vender o bem e o locatário não tem interesse na compra;
  • Exige fiador ou caução;
  • Existe a possibilidade de cobrança de multa rescisória, caso o contrato seja quebrado antes do prazo;
  • Modificações dependem de autorização e muitas vezes não são indenizadas;
  • Deve-se permitir a inspeção sobre o estado do imóvel de tempos em tempos.

Compra

Vantagens

  • Construção de patrimônio, com possibilidade de deixar o bem de herança;
  • Autonomia para adaptações e reformas;
  • Sem desocupação repentina;
  • Sem fiador ou caução;
  • Possibilidade de valorização do bem.

Desvantagens

  • Em geral, exige um valor para dar de entrada;
  • O financiamento é longo, e os juros sobem bastante o valor final pago;
  • Tem baixa liquidez: vender um imóvel pode demorar;
  • Há impostos e despesas cartoriais, como ITBI, escritura e registro;
  • Gastos com conservação e reformas.

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