Dólar alto e nômades digitais transformam Ipanema em polo de investimento estrangeiro

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 1º/setembro

Bairro teve crescimento de quase 300% na média de lançamentos residenciais nos últimos anos, com avanço da oferta de imóveis compactos.

Ipanema vive um novo momento de aquecimento imobiliário, com aumento da procura de estrangeiros. O câmbio passou a pesar nas decisões de compra, principalmente entre profissionais que trabalham remotamente para empresas de fora do país. Com o dólar em patamar elevado, esses compradores encontram no bairro uma relação de custo que pode ser mais competitiva do que em outros destinos internacionais.

Segundo Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária, a procura de estrangeiros por Ipanema vem crescendo gradativamente. Praia, comércio, gastronomia e serviços, além da possibilidade de fazer boa parte da rotina a pé, estão entre os principais atrativos.

“É um público que valoriza muito a possibilidade de conciliar trabalho e qualidade de vida. Ipanema reúne praia, gastronomia, comércio, serviços e uma infraestrutura que permite fazer muita coisa a pé, o que acaba sendo um diferencial importante para quem vem de fora. Dentro desse perfil, os imóveis compactos, de um ou dois quartos, acabam ganhando bastante destaque justamente por atender tanto quem busca uma residência temporária quanto quem enxerga uma oportunidade de investimento.”

Compactos ganham espaço

O Opportunity, por exemplo, prepara cinco projetos residenciais no Rio, com 181 unidades e VGV de R$ 280 milhões. Dois deles ficam na Rua Barão de Jaguaripe, a uma quadra da Lagoa Rodrigo de Freitas. Juntos, somam 44 apartamentos e R$ 80 milhões em VGV, com lançamento previsto para setembro.

Os empreendimentos fazem parte do Be.In.Rio, selo criado pela gestora para atuar no segmento. Desde 2024, foram 11 projetos lançados, cerca de 650 unidades e quase R$ 1 bilhão em VGV. Aproximadamente 95% das unidades já foram vendidas, segundo Marcelo Naidich, gestor do Opportunity Imobiliário.

“É um tipo de imóvel que atende a compradores híbridos, que querem tanto usar os apartamentos como gerar renda por meio de locação”, afirmou Naidich.

Na Rua Garcia D’Ávila, as construtoras Safira e Balassiano lançaram o Garcya Praia Studios, com 101 unidades de 30 a 50 metros quadrados. Todas foram vendidas em 48 horas.

Também na Rua Barão de Jaguaripe, a Piimo comprou o imóvel onde funcionou durante décadas o salão Care. No local, serão construídas 45 unidades, de 30 a 72 metros quadrados, com VGV estimado em R$ 82 milhões.

Na Rua Visconde de Pirajá, a Balassiano também prepara o Parque Studios, no imóvel que abrigou uma unidade da rede Beleza Natural. Serão 67 unidades, entre estúdios, lofts, double suites e coberturas, além de duas lojas no térreo. O VGV estimado é de R$ 150 milhões. O projeto acompanha a revitalização do Jardim de Alah.

Mais lançamentos em um bairro com pouco espaço

A expansão dos imóveis compactos acompanha o aumento da atividade imobiliária em Ipanema. Levantamento do Sinduscon-Rio com a Brain Inteligência Estratégica apontou crescimento de 294% na média anual de unidades residenciais lançadas no bairro entre os triênios 2019/2021 e 2022/2024.

No primeiro período, foram 63 unidades por ano, em média. No segundo, esse número chegou a 214.

O desempenho mais recente também coloca Ipanema à frente do Leblon. Em 2024, foram lançadas 254 unidades no bairro, contra 89 no vizinho.

Câmbio muda percepção de preço

Para quem recebe em dólar, euro ou libra, o preço de um imóvel no Rio é convertido para uma realidade de renda diferente da do comprador brasileiro. É essa conta que, segundo Isnard, ajuda a explicar o interesse de estrangeiros pelo bairro.

“O câmbio tem um peso importante nessa decisão porque muda completamente a percepção de valor para quem recebe em dólar, euro, libra esterlina ou outra moeda forte. Um imóvel que pode representar um investimento significativo para o brasileiro pode se tornar bastante competitivo quando analisado por alguém que recebe sua renda no exterior.”

A procura também aparece no mercado de locação, principalmente entre estrangeiros que passam temporadas no Rio. Apartamentos menores, próximos à praia e aos serviços do bairro, acabam concentrando parte dessa demanda.


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