Não tá fácil pra ninguém.
Em Nova York tem jovem morando em convento pra conseguir pagar aluguel. Já outros dividem a casa com idosos que nunca viram na vida.
Em julho desse ano, o aluguel médio em Nova Iorque bateu US$ 4,2 mil - é 30% acima dos preços em 2019. Em Manhattan, a média chega a bater US$ 5 mil.
Quando morar fica caro demais, as pessoas começam a procurar lugares que nunca imaginaram chamar de casa. Uma das soluções encontradas por jovens novaiorquinos é morar em conventos.
E a outra, com idosos que possuem quartos vazios, com preço mensal de US$ 1,1 mil.
No Brasil também temos casos parecidos. Em 2024, uma carioca encontrou moradia em um convento de Santa Tereza.
E o arranjo era bem interessante: ela pagava R$ 1.280 por mês, cobrindo todas a contas. Mas ela não foi para lá apenas pelo preço.
O problema é que ela não conseguia fiador na cidade, os pais não eram de lá e ela também não tinha dinheiro para pagar o cheque-caução, que é uma das alternativas quando você não tem fiador.
Ou seja, ela até conseguia arcar com o preço, mas não podia entrar no mercado formal de aluguel.
E isso tudo faz parte de uma discussão muito maior. O preço das ofertas de imóveis para aluguel também está subindo muito no Brasil todo.
Só no primeiro semestre de 2026, o valor do aluguel residencial subiu 5,24%. Ou seja, acima da inflação de 3,33%.
O problema da moradia não é só quanto custa para alugar. Tem a questão dos juros, que encareceram muito o financiamento, fazendo com que grande parte da demanda ficasse no mercado de aluguel.
E aqui temos uma questão de oferta e demanda que pressiona o mercado. Começamos a ver que o problema da moradia não é só quanto custa uma casa, mas sim quem consegue entrar no mercado que oferece ela.
Porque quando até pagar o aluguel deixou de ser suficiente, o problema é muito mais profundodo que exclusivamente o preço: há uma questão de acesso.
E talvez seja por isso que os jovens de hoje em dia estejam morando em conventos com idosos ou em qualquer outro lugar que tenha uma porta aberta.