Projeto bilionário para o Moinho Fluminense pode levar até 10 anos para sair do papel

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 9/março

Megacomplexo multiuso na Gamboa prevê torres residenciais de 70 andares, hotel, campus corporativo e floresta urbana de 10 hectares.

Se tudo ocorrer como programado, a transformação do conjunto de prédios históricos do Moinho Fluminense, na Gamboa, pode levar pelo menos uma década para ser concluída. O antigo complexo industrial, considerado a primeira fábrica de derivados de trigo do Brasil, é alvo de um projeto multibilionário que pretende converter a área em um grande empreendimento residencial, corporativo e turístico na Região Portuária do Rio.

A iniciativa será tocada pela gestora Autonomy Capital, em parceria com o empresário francês Alexandre Allard, responsável pelo desenvolvimento do Cidade Matarazzo e do hotel Rosewood, ambos em São Paulo. Batizado de Mata Maravilha, o projeto prevê transformar o antigo moinho em um megacomplexo multiuso, reunindo hotel, residências, escritórios e áreas verdes, alinhados com o processo de recuperação imobiliária que vem ganhando força na Região Portuária.

Segundo o sócio da Autonomy, David Ventoso, o cronograma estimado para implantação do projeto gira em torno de dez anos. Em entrevista à coluna Capital, do jornal O Globo, ele afirmou que o empreendimento é o maior já desenvolvido pela gestora e aposta no potencial da cidade para projetos de grande escala. “É a grande oportunidade de fazermos um projeto de relevância global, capaz de revitalizar uma importante área da cidade, que certamente está entre as três ou quatro mais bonitas do planeta”.

Torres verdes e floresta urbana

O projeto Mata Maravilha prevê a construção de dois edifícios residenciais de cerca de 70 andares e aproximadamente 200 metros de altura. As torres seriam envolvidas por vegetação nativa da Mata Atlântica, criando um conceito de arquitetura integrada à natureza. Além das residências, o plano inclui hotel, espaços corporativos e uma série de equipamentos voltados para inovação e tecnologia.

A proposta também prevê a criação de um campus voltado para empresas, coworkings, incubadoras e centros de convenções. A ideia é atrair atividades ligadas à economia criativa e à tecnologia verde, ampliando o uso da área para além do setor residencial.

O plano prevê ainda a criação de uma grande floresta urbana de cerca de 10 hectares, com aproximadamente 40 mil árvores e arbustos, conectada por sete quilômetros de caminhos de areia. Esses percursos ligariam diferentes partes do empreendimento e avançariam em direção às margens da Baía de Guanabara, passando por trechos que pertencem à União.

Negociação em andamento

A implantação do projeto ainda depende de etapas administrativas e legislativas. Na última semana, a prefeitura iniciou reuniões com sua base aliada na Câmara Municipal do Rio para discutir mudanças urbanísticas necessárias para permitir a construção das torres previstas no empreendimento.

O terreno pertence à Autonomy desde 2019. Na época, a empresa adquiriu o complexo histórico com a promessa de apresentar um plano de revitalização para o espaço. Como a proposta demorou a avançar, a prefeitura chegou a anunciar a desapropriação da área em 2024. Posteriormente, a incorporadora ganhou uma nova oportunidade para apresentar o atual projeto estruturado.

Moinho Fluminense

O complexo histórico do Moinho Fluminense foi inaugurado em 1887, com alvará de funcionamento assinado pela Princesa Isabel. Na época, tornou-se o primeiro moinho de trigo do Brasil. Localizado na Rua Sacadura Cabral, o conjunto arquitetônico reúne cinco edifícios e ocupa uma área de mais de 10 mil metros quadrados. Durante décadas, o local foi considerado um dos complexos industriais mais modernos da América Latina.

Em 1914, o empreendimento foi adquirido pela multinacional Bunge, que manteve as operações no local por mais de um século. Em 2011, a empresa realizou a restauração das fachadas históricas do conjunto, já no contexto das obras do Porto Maravilha. Em 2016, as atividades foram transferidas para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Desde então, o complexo permanece sem uso.


Ver online: Diário do Rio / Mercado Imobiliário