Juros em queda e construção civil; quem tende a se destacar e o que isso significa para o mercado imobiliário brasileiro

em Acionista / Opinião, 8/outubro

Com a curva de juros cedendo, o setor de construção civil volta ao radar do investidor e os efeitos podem chegar também ao crédito, aos preços e às decisões de compra de imóveis em todo o país.

Em entrevista que concedi ao MRT News nesta quinta-feira, tive a oportunidade de falar sobre um movimento que merece atenção de quem acompanha a economia e o mercado imobiliário: a curva de juros começou a ceder, e poucos setores são tão sensíveis a esse movimento quanto a construção civil.

A Selic ainda está em um patamar elevado, mas, para o mercado, a direção dos juros é tão importante quanto o nível atual. As decisões de empresas, investidores e compradores não são tomadas olhando apenas para o presente. Elas também consideram o que pode acontecer nos próximos meses.

É justamente por isso que uma mudança nas expectativas de juros pode começar a produzir efeitos antes mesmo de aparecer de maneira mais evidente nas vendas, nos lançamentos ou no preço dos imóveis.

A partir dessa discussão, vale olhar para uma questão mais ampla: se o ambiente de juros realmente caminhar para uma melhora, quem está mais preparado para aproveitar esse novo ciclo e o que isso pode representar para o mercado imobiliário brasileiro?

Se há um segmento que merece atenção nesse movimento, é o alto padrão. O comprador deste mercado costuma ter uma relação diferente com o crédito e, em muitos casos, dispõe de maior capacidade de pagamento à vista. Por isso, uma melhora no ambiente de juros pode aparecer menos como uma necessidade de financiamento e mais como um aumento da confiança para tomar decisões de compra e alocação patrimonial.

É um mercado que também responde à percepção de segurança e de oportunidade. Quando as condições financeiras começam a melhorar, mesmo antes de uma queda mais expressiva da Selic, o comprador pode voltar a considerar movimentos que estavam sendo adiados: a troca de imóvel, a aquisição de uma segunda propriedade ou até mesmo a diversificação do patrimônio por meio do mercado imobiliário.

Na minha avaliação, esse é um dos pontos mais interessantes do atual ciclo. O alto padrão não está imune aos juros, mas sua relação com eles é diferente. Enquanto em outros segmentos uma redução das taxas pode ser determinante para tornar uma parcela viável, no alto padrão o efeito pode estar mais relacionado à confiança, à liquidez e à disposição do comprador em movimentar capital.

É esse tipo de movimento que procuro acompanhar de perto no dia a dia, observando não apenas os indicadores econômicos, mas também como eles se traduzem nas decisões de quem compra, vende e investe em imóveis.


Luccas Isnard é CEO e criador da Vizu Imobiliária Boutique, com mais de 12 anos de experiência no mercado imobiliário de alto padrão da Zona Sul do Rio de Janeiro. Nascido em Ipanema e formado em direito, é faixa preta em Jiu-Jitsu e surfista desde criança.