Mais de 600 credores trabalhistas da antiga Sociedade Espanhola de Beneficência, mantenedora do tradicional Hospital Espanhol do Rio de Janeiro, começaram a enxergar uma perspectiva concreta de receber valores aguardados há anos. O pagamento será viabilizado com os recursos obtidos no leilão judicial de um dos principais imóveis da instituição, localizado na Rua Riachuelo, nº 302, no Centro do Rio, em mais uma grande negociação imobiliária envolvendo a região central da cidade. A entidade é uma tradicional instituição beneficente ligada à comunidade espanhola no Rio, criada ainda no século XIX para prestar assistência aos imigrantes e que, ao longo de sua história, consolidou um importante complexo hospitalar.
O imóvel foi arrematado em segundo leilão por R$ 12,8 milhões, em operação realizada de forma parcelada. A compra foi efetuada por um investidor carioca, cujo nome não foi divulgado: ele seria ligado à hotelaria, segundo fontes. A condução jurídica da arrematação ficou a cargo do advogado Jorge Silva, sócio do escritório Silva e Pimenta de Moraes Advogados e especialista em leilões judiciais, que acompanhou todo o procedimento desde o início até sua conclusão.
Embora o valor total da venda ainda esteja sendo quitado, a Justiça do Trabalho informou que já há R$ 4.492.401,23 disponíveis para distribuição aos credores, considerando as parcelas pagas até o momento. O pagamento integral da arrematação está previsto para ser concluído em novembro deste ano.
Em despacho assinado nesta segunda-feira (20), a juíza gestora da Centralização da Execução do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Maria Zilda dos Santos Neta, determinou a realização de simulações para definir o critério mais justo de distribuição dos recursos. Uma das possibilidades segue a regra prevista em resolução do próprio TRT. A outra prevê um pagamento linear de R$ 7.500 para cada credor, com R$ 15 mil para os credores preferenciais, como forma de alcançar o maior número possível de beneficiados.
A magistrada destacou que a distribuição exclusivamente proporcional poderia gerar distorções, permitindo que alguns credores recebessem integralmente seus créditos enquanto outros permanecessem sem qualquer pagamento. Antes da decisão definitiva, a comissão de credores e o Ministério Público do Trabalho foram intimados a se manifestar sobre a proposta.
O processo de execução reúne centenas de ações trabalhistas movidas por ex-funcionários da antiga Sociedade Espanhola de Beneficência, que entrou em grave crise financeira nos últimos anos. A centralização das execuções permitiu que os créditos fossem reunidos em um único procedimento, tornando possível a distribuição dos valores provenientes da venda judicial dos imóveis da instituição.
A venda do prédio da Rua Riachuelo representa mais um capítulo na transformação imobiliária do Centro do Rio, onde antigos edifícios corporativos e institucionais vêm mudando de mãos e abrindo espaço para novos projetos, impulsionados pela retomada da região e pelo interesse crescente de investidores.
Em 2020, uma polêmica envolveu a retirada de equipamentos hospitalares da unidade, já desativada à época, pela Prefeitura do Rio.