Itaú quer leiloar mega-agência fechada no Centro do Rio por R$ 6,6 milhões

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 5/outubro

Preço pedido pela unidade chama atenção no mercado quando comparado ao de outros imóveis comerciais disponíveis na região.

O Itaú Unibanco vai levar a leilão uma das grandes áreas que deixou de utilizar no Centro do Rio. Fechada há dois anos, a antiga agência da Rua da Assembleia será oferecida no próximo dia 12 de novembro, com lance inicial de R$ 6.593.696. O espaço tem pouco mais de 1,4 mil metros quadrados e ocupa todo o térreo de dois edifícios comerciais, com acessos e frentes também pelas ruas do Carmo e São José.

O imóvel pertence ao próprio banco e a venda será formalizada por meio de Compromisso de Venda e Compra. A área é uma das propriedades que o Itaú colocou no mercado em um leilão de ativos que inclui outras antigas agências no estado do Rio. Há imóveis também na Penha, Botafogo, Itaboraí e Niterói. Em Botafogo, uma unidade na Rua da Passagem também tem lance inicial também superior a R$ 6 milhões.

O preço pedido pela unidade da Assembleia, no entanto, chama atenção quando comparado ao de outros imóveis comerciais disponíveis na região. Uma agência do Santander na mesma rua, onde funcionava uma unidade Select, está sendo oferecida por R$ 3,6 milhões. O espaço tem cerca de 1.100 metros quadrados e está à venda há aproximadamente um ano pela Sérgio Castro Imóveis.

Para Lucy Dobbin, superintendente de vendas da corretora, a maior em atendimento no Centro, a diferença reflete um problema recorrente nos leilões de antigas agências bancárias. Segundo ela, as avaliações utilizadas pelos bancos não estariam acompanhando as condições atuais do mercado de imóveis comerciais do bairro. “O problema destes leilões de lojas de bancos é que todos têm partido de avaliações completamente irreais que não levam em conta nem o mercado atual, deprimido, do Centro, e nem o fato de que quase todas estas lojas estão sujeitas a valores escorchantes de IPTU e cotas de condomínio proibitivas.”

Um levantamento do Sindicato dos Bancários do Rio mostra o tamanho dessa redução. Entre 2021 e abril de 2025, 163 agências e postos de atendimento bancário foram fechados no Centro, o equivalente a 55% do total existente no período. Segundo o último levantamento divulgado pela entidade, restavam 131 unidades em funcionamento.

O fechamento das agências também deixou um estoque de grandes espaços sem uso. Lucy Dobbin estima que pelo menos 95 lojas que já abrigaram bancos no Centro continuam fechadas. São áreas entre 266 m² e 2.460 m², que enfrentam outro obstáculo para voltar ao mercado: os altos custos de IPTU e condomínio.

Há casos, segundo a profissional, em que um imóvel é vendido por R$ 4 milhões, mas a prefeitura o avalia em R$ 15 milhões. A diferença, afirma, dificulta a ocupação desses espaços por atividades que não sejam do setor bancário. “O IPTU precisa ser revisto com urgência. A lógica da planta de valores do imposto está desconectada da realidade do mercado”.


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