O mercado imobiliário do Rio movimentou quase R$ 50 bilhões em imóveis nos primeiros oito meses de 2026, segundo levantamento baseado na arrecadação do ITBI. O valor representa alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025 e mostra um mercado em que a valorização dos imóveis passou a ter peso maior no resultado.
Até agosto, o ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) na capital chegou a R$ 997,5 milhões, o maior valor da série histórica para o período. Considerando a alíquota de 2%, o montante equivale a aproximadamente R$ 50 bilhões em imóveis que trocaram de mãos na cidade.
O levantamento foi realizado pelo economista Victor Tulli, diretor de Tecnologia e Novos Negócios da Administradora Nacional, com dados do Tesouro Nacional. Os números foram cruzados com os preços do Panorama Brain/Ademi-Rio, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário.
O preço do metro quadrado ajuda a explicar o movimento. Entre 2022 e meados de 2025, o valor médio passou de R$ 10.116 para R$ 11.876, alta que praticamente acompanhou a inflação do período. Nos 12 meses seguintes, porém, chegou a R$ 13.422, avanço de 13% em valores correntes e de 8% acima da inflação.
Os apartamentos de dois quartos puxaram a valorização, com alta real de 9,6%. Nos imóveis de três quartos, o avanço foi de 3%. Já os apartamentos de um e quatro quartos tiveram desempenho abaixo da inflação.
Mercado acelera em 2026
A arrecadação do ITBI também ganhou força ao longo do ano. Segundo Tulli, depois de um início mais fraco, o mercado virou a partir de março e registrou quatro meses consecutivos de alta.
“Nos últimos 12 meses, o giro chega a R$ 78 bilhões, o maior já registrado. O ano começou fraco, virou em março e engatou quatro meses seguidos de alta: junho (R$ 138,6 milhões) é o melhor junho em 13 anos e julho (R$ 146,6 milhões) é o maior julho em valores correntes. No ritmo atual, 2026 será o primeiro ano com mais de R$ 1,5 bilhão de ITBI na cidade”, estima Tulli.
Em junho, a arrecadação chegou a R$ 138,6 milhões, o melhor resultado para o mês em 13 anos. Em julho, foram R$ 146,6 milhões, o maior valor em termos correntes já registrado para o mês.
O levantamento mostra ainda uma evolução consistente desde a pandemia. Em 2020, o Rio arrecadou R$ 861 milhões em ITBI. Em 2025, o valor chegou a R$ 1,46 bilhão, alta de 69% em valores correntes e de 25% acima da inflação.
“O crescimento é estrutural, não um pico isolado. Desde a pandemia, a arrecadação de ITBI do Rio subiu 69% em valores correntes, de R$ 861 milhões em 2020 para R$ 1,46 bilhão em 2025, e 25% acima da inflação. Em 2021, a cidade passou pela primeira vez de R$ 1 bilhão e não voltou mais. Traduzido em imóveis, o volume anual transacionado saltou de R$ 43 bilhões para R$ 73 bilhões em cinco anos. E 2026 acelera sobre essa base: junho e julho ficaram 36% acima da média dos mesmos meses de 2023 a 2025, e agosto, 10% também acima da média”, explica o diretor.
As vendas de lançamentos residenciais representam cerca de 19% do volume revelado pelo ITBI. A maior parte das transações, portanto, está concentrada no mercado de imóveis prontos e usados.