Juros altos não param: mercado de imóveis cresce 5,4% e especialista avisa que esperar pode custar caro

em Bra1 / Imobiliário, 6/outubro

O setor imobiliário brasileiro cresceu 5,4% no primeiro semestre de 2026, vendendo 226 mil unidades, mesmo com juros elevados. O especialista Murilo Arjona explica que a diversificação do crédito, como FGTS e SBPE, sustenta a demanda e alerta que adiar a compra pode significar pagar mais caro no futuro.

Em meio a juros altos, o mercado imobiliário brasileiro surpreendeu e registrou crescimento de 5,4% no primeiro semestre. Os dados, que revelam a resiliência do setor, indicam que esperar a queda da taxa Selic pode não ser a estratégia mais vantajosa para quem deseja comprar um imóvel.

O especialista em financiamento imobiliário, Murilo Arjona, apresenta dados inéditos que explicam a dinâmica do setor. Ele destaca que a diversificação das fontes de crédito é o principal motor dessa alta e adverte que adiar a decisão pode acarretar custos adicionais para o comprador.

  • Foram vendidas 226.536 unidades residenciais novas entre janeiro e junho de 2026, um aumento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.
  • O financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para aquisição de imóveis somou R$ 67,2 bilhões, crescendo 12%.
  • O crédito total do FGTS, especialmente via Minha Casa, Minha Vida, avançou 22%, superando o crescimento do SBPE.
  • O total de crédito imobiliário alcançou R$ 180,9 bilhões no semestre, uma alta de 23%.
  • Especialistas afirmam que a demanda aquecida indica que comprar agora pode ser mais barato do que esperar por juros menores.

Crescimento impulsionado por diferentes fontes de crédito

Mesmo com a taxa básica de juros elevada, o setor manteve sua expansão. Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC, o volume de vendas de imóveis novos subiu de forma consistente, demonstrando que a alta demanda está sustentada por múltiplos canais de financiamento.

Murilo Arjona esclarece que esse crescimento não significa que o crédito ficou mais barato. Na verdade, o dinheiro está vindo de diferentes origens. O financiamento pelo SBPE para compra de imóveis totalizou R$ 67,2 bilhões, representando uma alta de 12% no período. Quando se inclui a construção, o volume financiado pelo SBPE atingiu R$ 93,7 bilhões, com crescimento de 29%.

Outro pilar fundamental para esse desempenho é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A Abecip aponta que o crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, com alta de 23%. As operações ligadas ao FGTS, focadas no programa Minha Casa, Minha Vida, cresceram 22%, um ritmo superior ao do SBPE para aquisição.

Estratégia de compra: agora ou mais tarde

Para Murilo Arjona, a multiplicação das fontes de recursos explica a vitalidade do mercado. O mercado continuar crescendo mesmo com juros altos mostra que existe demanda, mas também mostra que o financiamento imobiliário hoje não depende de uma única fonte de recursos. SBPE, FGTS e outras alternativas ajudam a manter o crédito circulando e sustentam diferentes perfis de compradores, afirma o especialista.

O cenário de Selic alta ainda mantém o crédito imobiliário atrativo para parte dos consumidores. Arjona reforça que a preferência por antecipar a aquisição, em vez de aguardar uma eventual queda de juros, é uma escolha racional para muitos. Mesmo com a Selic alta, o crédito imobiliário continua atrativo. Quem espera apenas a queda dos juros pode encontrar imóveis mais caros no futuro, porque a melhora das condições tende a aumentar a procura. Costumo dizer que hoje é o segundo melhor dia para comprar seu imóvel: o melhor foi ontem e o pior será amanhã, explica.

A combinação entre o aumento nas vendas e a expansão das concessões de crédito indica que a demanda por moradia segue forte. Para quem planeja financiar, adiar a decisão apenas pela expectativa de juros menores possui um custo oculto: o provável aumento dos preços dos imóveis, impulsionado pela própria alta procura quando as condições melhorarem.


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